quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
o velho que aproveita o que aprendeu (ou esquece tudo)
sábado, 27 de janeiro de 2007
A Hard Rain's A-Gonna Fall

Uma Chuva Forte Vai Cair
Oh, onde você esteve meu filho de olhos azuis?
Oh, onde você esteve, meu jovem querido?
Tropecei ao lado de doze montanhas nebulosas
Eu andei e engatinhei em seis estradas tortuosas
Eu pisei no meio de sete florestas tristonhas
Entrei e saí da frente de uma dúzia de oceanos mortos
Estive dez mil milhas
Na boca de uma sepultura
E é uma forte, é uma forte
É uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
Oh, o que você viu, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que você viu, meu jovem querido?
Eu vi um bebê recém nascido
Com lobos selvagens lhe rondando
Eu vi uma estrada de diamantes sem ninguém sobre ela
Eu vi um galho negro com sangue que pingava
Eu vi um quarto cheio de homens
Com seus martelos sangrando
Eu vi uma escada branca toda coberta de água
Eu vi dez mil oradores
Cujas línguas estavam dilaceradas
Eu vi armas e espadas afiadas
Nas mãos de crianças pequenas
E é uma forte, é uma forte, é uma forte, é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
E o que foi que você ouviu meu filho de olhos azuis?
E o que foi que você ouviu meu jovem querido?
Eu ouvi o som do trovão
E seu estrondo era um aviso
Ouvi o ronco de uma onda
Que poderia afogar o mundo inteiro
Ouvi mil bateristas
Cujas mãos estavam em brasa
Ouvi dez mil sussurrando e ninguém estava ouvindo
Ouvi uma pessoa morrer de fome
Ouvi muitos rindo
Ouvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta
Ouvi o som de um palhaço que chorava no beco
E é uma forte, é uma forte
É uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
Oh, quem você encontrou meu filho de olhos azuis?
Quem foi que você encontrou meu jovem querido?
Eu encontrei uma criança jovem ao lado de um potro morto
Encontrei um homem branco
Que passeava com um cachorro preto
Encontrei uma jovem mulher cujo corpo estava queimando
Eu encontrei uma jovem menina, ela me deu um arco-íris
Eu encontrei um homem que estava ferido no amor
Eu encontrei um outro homem que estava ferido em ódio
E é uma forte, é uma forte
É uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
Oh, o que farás agora, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que farás agora, meu jovem querido?
Vou voltar lá pra fora antes que a chuva comece a cair
Vou andar até as profundezas da mais negra floresta
Onde o povo é tamanho
E suas mãos são vazias
Onde as cápsulas de veneno estão afogando suas águas
Onde o lar no vale
Encontra a prisão úmida e suja
Onde o rosto do executor está sempre bem escondido
Onde a fome é feia, onde as almas são esquecidas
Onde preto é a cor, onde nada é o número
E eu posso contá-lo e pensa-lo e dize-lo e respira-lo
E refleti-lo das montanhas
Para que todas as almas possam vê-lo
Então ficarei em pé sobre o oceano até começar a afundar
Mas eu conhecerei minha canção bem
Antes de começar a canta-la
E é uma forte, é uma forte, é uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
A Hard Rain's A-Gonna Fall
Oh, where have you been, my blue-eyed son?
Oh, where have you been, my darling young one?
I've stumbled on the side of twelve misty mountains,
I've walked and I've crawled on six crooked highways,
I've stepped in the middle of seven sad forests,
I've been out in front of a dozen dead oceans,
I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, and it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what did you see, my blue-eyed son?
Oh, what did you see, my darling young one?
I saw a newborn baby with wild wolves all around it
I saw a highway of diamonds with nobody on it,
I saw a black branch with blood that kept drippin',
I saw a room full of men with their hammers a-bleedin',
I saw a white ladder all covered with water,
I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken,
I saw guns and sharp swords in the hands of young children,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
And what did you hear, my blue-eyed son?
And what did you hear, my darling young one?
I heard the sound of a thunder, it roared out a warnin',
Heard the roar of a wave that could drown the whole world,
Heard one hundred drummers whose hands were a-blazin',
Heard ten thousand whisperin' and nobody listenin',
Heard one person starve, I heard many people laughin',
Heard the song of a poet who died in the gutter,
Heard the sound of a clown who cried in the alley,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, who did you meet, my blue-eyed son?
Who did you meet, my darling young one?
I met a young child beside a dead pony,
I met a white man who walked a black dog,
I met a young woman whose body was burning,
I met a young girl, she gave me a rainbow,
I met one man who was wounded in love,
I met another man who was wounded with hatred,
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what'll you do now, my blue-eyed son?
Oh, what'll you do now, my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin',
I'll walk to the depths of the deepest black forest,
Where the people are many and their hands are all empty,
Where the pellets of poison are flooding their waters,
Where the home in the valley meets the damp dirty prison,
Where the executioner's face is always well hidden,
Where hunger is ugly, where souls are forgotten,
Where black is the color, where none is the number,
And I'll tell it and think it and speak it and breathe it,
And reflect it from the mountain so all souls can see it,
Then I'll stand on the ocean until I start sinkin',
But I'll know my song well before I start singin',
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Manuscrito achado num bolso

“Agora que escrevo, para outros isto podia ter sido a roleta ou hipódromo, mas não era dinheiro que eu procurava, em dado momento tinha começado a sentir, a decidir que uma vidraça na janela do metrô poderia me trazer a resposta, o encontro com uma felicidade, precisamente aqui, onde tudo acontece sob o signo da mais implacável ruptura, dentro de um tempo subterrâneo que um trajeto entre estações desenha e limita inapelavelmente embaixo. Digo ruptura para compreender melhor (teria de compreender tanta coisa desde que comecei a jogar o jogo) aquela esperança de uma convergência que talvez fosse me dada no reflexo em uma vidraça da janela.”
de Julio Cortázar em Octaedro
domingo, 21 de janeiro de 2007
Ehh, what's up, doc? (por muito tempo ainda...)

Minha filha, a Mariana, de 4 anos, assistiu hoje aos desenhos clássicos do Pernalonga. Como quase todas as crianças do mundo ela gosta muito de desenhos, mas nunca eu tinha visto ela rir tanto, daqueles risos que empolgam quem está perto. Por exemplo, no episódio "Little Red Riding Rabbit", que é uma sátira à história da chapeuzinho vermelho, ela achou graça de ver o lobo mau ser feito de bobo pelo esperto Pernalonga.
Como pai e fã desses desenhos fiquei feliz com essa nova fã mirim dos Looney Tunes. Acho o humor desses desenhos fantástico. Não tratam a criança como um imbecil, muito pelo contrário, são cartoons que quebram regras com inteligência, seja nas palavras ou no traço.
Pernalonga é de 1940, criado pelo grande Charles Chuck Jones e depois teve sua personalidade maluca e esperta moldada pelo gênio Tex Avery. Essa criação, como a de tantos outros cartunistas, não chega a ser novidade, já que histórias com animais antropomorfizados existiram em diversas civilizações passadas. O mérito dos Looney Tunes é atualizar esse tipo de narrativa para nossa sociedade e não se apegar aos padrões da época.
No DVD que reúne os desenhos de Pernalonga, o cartunista Tex Avery conta em um documentário anexo que a idéia de seus amigos dos estúdios Warner era fazer algo que não lembrasse os desenhos famosos daqueles anos. Ele recorda que a Disney produzia os desenhos mais vistos no mundo e era uma competidora praticamente imbatível.
Num daqueles raros momentos em que o patrão dá carta branca para um bando de malucos inventar e não copiar, não se sabe se porque é visionário ou também porque é doido, foram feitas histórias não mais engraçadinhas e ingênuas, mas que tinham a intenção de buscar novos caminhos.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
cadafalso da vingança

A execução secreta mais divulgada na história mostra que os enforcamentos revelam o quão cruel podem ser os homens quando estão matando seus inimigos.
O enforcado não deve morrer em silêncio, apenas com sua agonia e sua dor, é necessário também lembrar seus pecados e se vingar até o último suspiro.
A platéia que viu Saddam morrer, como num estádio de futebol, gritou os nomes de seus ídolos, aqueles que Saddam assassinou ou perseguiu. Foi a hora da desforra, o jogo tinha virado para os xiitas.
Moqtada é o chefe religioso xiita Moqtada al-Sadr e Muhammad Baqir al-Sadr foi um aiatolá, o mais importante líder xiita iraquiano, e também é sogro de Moqtada. Baqir al-Sadr foi condenado à morte por Saddam em 1980. Morreu com um prego atravessado na cabeça. Provavelmente também insultado por seus carrascos...
Abaixo a transcrição do papo de Saddam antes da morte:
Saddam – Deus!
Vozes – Que as bênçãos de Deus estejam com Maomé e com os seus.
Vozes – E que Deus esteja presente e amaldiçoe seus inimigos!
Vozes – Moqtada! Moqtada! Moqtada!
Saddam – Vocês acham que isto é coragem?
Voz única – Longa vida a Muhammad Baqir al-Sadr!
Segunda voz única – Vá para o inferno!
Terceira voz única – Não façam isso! O homem está sendo executado! Por favor, imploro que parem!
Saddam – Não há Deus que não Alá e Maomé é Seu profeta! Não há Deus que não Alá e Maomé…
O calabouço abre, o corpo de Saddam cai.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
o violão hermético
Hermes Trismegisto Escreveu
(Jorge Ben/Fulcanelli)
Há 2.000 anos, antes de Cristo
O Faraó Hermes Trismegisto escreveu
O maravilhoso tratado hermético
Com uma ponta de diamante
E uma lâmina de esmeralda
Que foi encontrado vários séculos depois
Pelos soldados de Alexandre, o Grande
Na famosa pirâmide de "Kinzer"
Salve Hermes Trismegisto que tem as três partes
Da Filosofia Universal
É verdade, é mentira, certo, muito verdadeiro
A tábua de esmeralda
Foi Hermes Trismegisto quem escreveu
Com uma ponta de diamante
E uma lâmina de esmeralda, ele escreveu
O que está em baixo
É como que está no alto
O que está no alto
É como que está em baixo, ele escreveu
Hermes
Trismegisto
(Jorge Ben/Fulcanelli)
Há 2.000 anos, antes de Cristo
O Faraó Hermes Trismegisto escreveu
O maravilhoso tratado hermético
Com uma ponta de diamante
E uma lâmina de esmeralda
Que foi encontrado vários séculos depois
Pelos soldados de Alexandre, o Grande
Na famosa pirâmide de "Kinzer"
Salve Hermes Trismegisto que tem as três partes
Da Filosofia Universal
É verdade, é mentira, certo, muito verdadeiro
A tábua de esmeralda
Foi Hermes Trismegisto quem escreveu
Com uma ponta de diamante
E uma lâmina de esmeralda, ele escreveu
O que está em baixo
É como que está no alto
O que está no alto
É como que está em baixo, ele escreveu
Hermes
Trismegisto
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