quinta-feira, 28 de maio de 2009
Lubrificantes e doçura
A resposta mais óbvia é o dinheiro e em muitos casos realmente é só isso. Mas várias strippers também sentem o prazer e até mesmo a doçura recompensadora de sentir-se desejada e fazer alguém mais feliz.
Essa é a história pessoal que a escritora Diablo Cody, 30 anos, conta no livro “Minha vida de stripper” (Candy Girl, 2006). Diablo, ou Brook Busey, hoje é mundialmente conhecida depois de ter faturado o Oscar pelo roteiro do filme Juno (2007), mas antes teve que ralar como digitadora numa entediante agência de publicidade e depois como stripper em Minneapolis (EUA).
Mesmo pequena, 380 mil habitantes, a cidade é uma prova da força da indústria pornográfica dos Estados Unidos. A obra descreve dezenas de clubes de strippers, sex shops e peepshows (cabines de masturbação), todos na pacata Minneapolis.
Com muito humor e cinismo a autora, na época com 25 anos, conta suas experiências familiares junto o namorado Jonny e sua enteada Peanut, do trabalho monótono onde a maior diversão eram os chás de maçã e as atividades lúdicas nos clubes de diversão adulta como leilões de calcinhas, noites da camiseta molhada, lap dances (a stripper dança no colo do cliente), pole dances (a famosa dança do cano da novela) e outros passatempos não publicáveis aqui.
Diablo não precisava de grana. Chegou até ser promovida em sua agência. Mas ela não nasceu para fazer carreira e ser uma menina certinha. Ou, melhor dizendo, ela relata que foi criada para ser uma mulher católica, feminista e reprimida comum, mas, na sua visão, resolveu ser melhor dar um basta a essa chatice.
Numa das partes mais fortes do livro ela, já trabalhando como stripper, encontra um noivo a quem oferece uma lap dance. Ele responde “não ser sua praia”, que só estava na casa noturna porque um amigo o trouxe e que sua noiva não era tão bonita quanto às dançarinas do lugar, mas era uma pessoa boa e honesta.
A escritora resume bem a imbecialidade que isso significou. “Assim como as strippers se envergonham ao serem tachadas de imorais, putas de péssima reputação, nenhuma mulher ‘direita’ quer ser considerada somente um ser obediente, assexuado e saudável.”
Nos momentos hilários ela descreve o cotidiano da indústria do sexo. Como quando vai trabalhar no Sex World, um empório pornô de três andares que funciona 24 horas por dia e todos os dias do ano. Lá ocupa uma vaga como mulher em exposição numa cabine de peepshow. Sua função consistia em se masturbar atrás de um vidro para inspirar os tarados, solitários e bizarros de plantão com muito lubrificante. Nessa prática ela ficou com “inveja do pênis falso alheio”, isto é, de uma colega da cabine ao lado que tinha muito mais apetrechos eróticos do que ela para se masturbar.
Toda essa libertinagem, no entanto, no caso de Diablo escondia uma nerd insegura com sua aparência e que ao mesmo tempo ignorava os outros por se achar mais inteligente que a maioria. Quando dançava em clubes de strippers ela procurava vencer essas amarras, mas nunca se despia totalmente. Mesmo nua ela nunca dançava com entrega total.
Ela só encontra a paz quando conhece numa boate uma dançarina havaiana fantástica, uma verdadeira “mestre Jedi” do baixo-ventre. Ela percebe então o calor doce e carismático de algumas strippers, “aquela generosidade total de sexo e alma que fazia até o quadragésimo cliente da noite se sentir VIP.”
quinta-feira, 26 de junho de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
Estou olhando através de você
Pensava conhecê-la, o que eu sabia?
Você não parece diferente mas você mudou
Estou olhando através de você, você não é a mesma
Seus lábios estão movendo, eu não posso ouvir
Sua voz é tranquilizante
Mas as palavras não são claras
Você não soa diferente
Eu aprendi o jogo
Estou olhando através de você
Você não é a mesma
Por que, diga-me por que você não me tratou corretamente?
O amor tem o mau hábito de desaparecer de repente
Você está pensando em mim do mesmo e antigo modo
Você esteve acima de mim, mas não hoje
a única diferença é que você está lá embaixo
Estou olhando através de você e você está em lugar algum
Por que, diga-me por que você não me tratou corretamente?
O amor tem o mau hábito de desaparecer de repente
Estou olhando através de você, onde você foi?
sábado, 22 de março de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
O carteiro melancólico
Como sempre faço cheguei naquela cidade como migrante procurando trabalho. Fiquei um mês numa pensão, conheci pessoas, freqüentei bares, fui à missa e trabalhei de auxiliar de tipógrafo. Era um tempo em que a simples disposição para trabalhar valia muito mais do que a experiência nas funções.
Quando me senti acomodado fui enviar a carta. Naturalmente era um endereço inventado, mas não tinham como saber. O correio funcionava mal e porcamente no país, na maioria das cidades não havia mapeamento das ruas. Disse que o endereço me fora entregue por um cliente novo que passara com pressa pelo trabalho e pediu o favor. Eram, dizia o falso cliente, notícias de família esperadas com aflição.
Com apenas dois funcionários disponíveis na agência, o antigo carteiro pediu para eu deixar a carta ali para que ele um dia procurasse o endereço. Simulei a mesma irritação de sempre e exigi uma solução rápida. Fui informado mais uma vez de que quase ninguém queria ser carteiro por causa do baixo salário e dos poucos recursos para trabalhar.
Então eu mesmo me ofereci para entregar a carta fantasma. Dois dias depois voltei para comunicar meu falso êxito na entrega e com empolgação de novo pedi uma vaga de carteiro. Essa era minha estratégia básica em todas as cidades pelas quais passei. Nunca deixei suspeitas.
Daquela vez me deram logo de início uma sacola verde de pano com cartas para serem entregues e um mapa pequeno da cidade. Três páginas, mal desenhado e com inúmeras ruas faltando. Meus dois colegas nem saíram para trabalhar, como novato eu que me virasse sozinho. Era exatamente com o que contava. Meu plano só daria certo caso não me amolassem. Pude levar sossegado todas as cartas para meu quarto na pensão. Apenas tinha a obrigação de retornar no final do dia com a sacola. Porém, não havia o mínimo controle de quantas correspondências carregava ou devia entregar.
Sempre violo as cartas que me parecem mais pessoais. Envelopes com caligrafias bonitas ou feias são os que me interessam, demonstram o capricho ou o desprezo das pessoas. As cartas formais, datilografadas ou com letras que imitam as máquinas são comuns, assuntos de negócios. Depois da minha seleção só uso o vapor da chaleira. É um processo que aprendi a tornar rápido. Abro qualquer carta em menos de um minuto. Já a leitura pode levar várias horas.
Admito que a minha motivação inicial ficou um pouco menor, aprendi a ter prazer apenas em ler esses folhetins pessoais. Afinal minha obsessão beira o impossível: procuro a mulher que amo, que desgraçadamente perdi e fugiu de mim sem deixar rastro, só descobri que ela mudou de nome e sumiu do mapa, mas que depois de vários anos passou a enviar cartas para amigos e parentes sempre mudando o remetente.
Foi um custo descobrir isso. Vivemos juntos dois meses numa paixão intensa, mal sei quem são sua família e conhecidos. E os poucos que conheço me odeiam. Falam que eu sou louco e até tentaram me matar. Então só me restou transformar essa busca na minha vida. Acostumei-me a subornar pessoas, praticar crimes, fazer ameaças e mudar de identidade constantemente para encontrar as pistas que um dia me levem de novo até a minha Sônia. Ou seja lá o nome que ela tem agora.
As histórias das cartas deixam assim os meus dias, meses e anos de fracasso menos tristes. Descobri ser agradável ler as correspondências alheias. Sinto-me como um semideus onisciente da vida dos outros. Naquela sacola verde meu consolo veio nas cartas de Mário Lopes Pedroso ou, como descobri depois, Maria Carmem Espinosa. Casada, mãe de três filhos, ela tinha um romance secreto com Ademar Silveira Filho.
Talvez o mais interessante fosse que o casal de amantes era vizinho. Toda semana Maria pedia para um moleque levar as cartas de Mário até o correio. Na certa eles se viam todos os dias morando um do lado do outro, mas deviam manter as aparências e só dizer bom dia.
Era apenas ela quem escrevia, estava apaixonada e parecia estar disposta a tudo. Ademar não era casado, era um solteirão. Pelo que entendi ele tinha relutância em assumir o caso com Maria. Ela, ao contrário, propunha abertamente que os dois fugissem.
Quando entregava as cartas para Ademar nunca vi empolgação em seu rosto. Era um homem magro, alto, de cabelo escorrido e bigodinho. Descobri que já era aposentado, mesmo tendo menos de 50 anos, porque tinha uma deficiência em uma das pernas. Passava os dias em casa sem ter o que fazer. Ou não. Imaginei que ele devia ter encontros escondidos com sua vizinha. Por ser dona-de-casa ela também ficava muito tempo dentro do lar e, como o marido trabalhava e os filhos estudavam, também permanecia sozinha.
Porém uma de suas cartas negou tudo isso. Era admirável, os dois nunca nem haviam se beijado na vida. O amor só não era platônico por parte de Maria porque já tinha sido declarado. Ela não sentia mais nada pelo marido, viviam distantes. Lá de vez em quando, antes de dormir, ele abria as pernas da mulher e introduzia seu pênis. Ela escrevia que era doloroso, primeiro porque não gostava mais dele e depois porque sua vagina sempre estava seca. Mas pelo menos ele gozava rápido e ia dormir.
Já por Ademar ela tinha algo de gratidão. Por ser atencioso e gentil com ela, Maria acreditava que aquele homem fosse o príncipe coxo que lhe traria a felicidade amorosa. Como contraponto ao marido ela escrevia que depois de muitos anos voltava a ficar excitada só de pensar em um homem.
Mais de um mês lendo essas cartas me deixou ansioso, esperava que Maria e Ademar fizessem algo e assumissem de vez seu amor. Porém ele permanecia impassível, pelo correio nunca enviara nenhuma carta a ela. Não conseguia entender o porquê, se ele era tão gentil com Maria, como ela mesma dizia, e ela era mulher de meia idade bonita ainda, devia haver um motivo forte para ele permanecer em silêncio. Quem sabe fosse o medo de se envolver com uma mulher casada ou outro amor existisse nessa história.
E minha segunda suposição se provou verdadeira. De uma forma bem forte. Por acaso resolvi abrir um dia a correspondência endereçada ao advogado Sergio Monteiro. O remetente era um tal de Romeu Silvestrini, ou na verdade Ademar Silveira Filho. Os dois tinham uma relação homossexual há mais de dez anos, mesmo com Sergio sendo casado e pai. Eles se encontravam numa casa chamada de amarela, que nunca descobri onde ficava. As mensagens que trocavam eram notícias da vida de ambos e queixas de saudades por quase sempre estarem longe. Ademar escrevia ao seu amante sobre a angústia que sentia com o assédio de Maria. Ele lamentava seu sofrimento , desejava de verdade que ela fosse feliz mas não podia nunca contar o real por motivo de sua indiferença.
Senti-me irmão dessas três vidas melancólicas que carregam um fio de esperança por um amor impossível. Eu sei o que é esperar em vão, por isso antes de procurar outra cidade entreguei cartas de Maria para seu marido e as de Ademar e Sergio para o pasquim local. No acostamento onde esperava o ônibus para partir uma pessoa me disse que na cidade ocorreram a poucas horas dois assassinatos e um suicídio. Uma mulher e dois homens. Sei que fiz o melhor por eles, a dor de nunca ter seu amor é muito pior.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Eu adoraria te deixar excitado
A Day in the Life
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.
I saw a film today oh boy
The English Army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book, I'd love to turn you on...
Woke up, fell out of bed,
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup,
And looking up I noticed I was late.
Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke,
and somebody spoke and I went into a dream
I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall.
I'd love to turn you on.
Um Dia Na Vida
Eu li as notícias hoje, oh, garoto,
Sobre um homem de sorte que ganhou na Loteria
E apesar de as notícias serem bem tristes
Bem, eu tive apenas que rir...
Eu vi a fotografia...
Ele estourou sua cabeça em um carro
Ele não percebeu que o sinal tinha fechado
Uma multidão das pessoas ficou e olhou
Eles tinham visto seu rosto antes
Ninguém estava realmente certo se ele era do Senado
Eu vi um filme hoje, oh, garoto,
O exército inglês acabara de vencer a guerra
Uma multidão das pessoas foi embora
Mas eu apenas tive que olhar
Tendo lido o livro
Eu adoraria te deixar excitado...
Acordei, saí da cama
Penteei o meu cabelo
Desci as escadas e bebi um café
e observando, eu percebi que estava atrasado
Peguei meu casaco e coloquei meu chapéu
Peguei o ônibus rapidamente
Subi as escadas e fumei um cigarro
Alguém falou e eu entrei em um sonho
Ahhhhhhhhhhh
Eu ouvi as notícias hoje, oh, garoto,
Quatro mil buracos em Blackburn, Lancashire
E apesar de os buracos serem bem pequenos
Eles tiveram que contá-los um a um
Agora eles sabem quantos buracos são necessários para encher o Albert Hall
Eu adoraria te deixar excitado.
Ultima faixa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. John Lennon tinha o começo e o fim de uma música, mas não sabia o que colocar no meio, então apenas gravou as duas partes e fez uma marcação de tempo para depois inserir o meio da canção. Para sinalizar as partes usou o som de um despertador.
Paul McCartney tinha uma música desconexa e apresentou ao colega para talvez preencher sua composição sem meio. Casou direitinho, inclusive com o som do despertador porque a última estrofe de Paul dizia "Wake up, fell out of bed..." (acorde, pule da cama...).
A inspiração para a letra de John Lennon é a sequência de acontecimentos que, segundo ele, havia lido recentemente no jornal londrino Daily Mail. A morte de carro foi inspirada na sofrida por Tara Browne, 25 anos, neto de Edward Cecil Guiness e herdeiro da famosa marca de cerveja Guinness.
Os 4.000 buracos, em uma notícia da existência dessa quantidade nas ruas de Blackburn, Lancashire. Sobre o filme visto, a referência próxima era a participação de John no filme "How I Won the War", em que o exército britânico vence a guerra. Baseado nestes acontecimentos, ele criou um universo onírico, com jogos de palavras, bem ao seu estilo de compor.
O verso "I'd love to turn you on" que finalizava ambas as partes da música atribuída a ele tinha conotação explícita com o uso de drogas: "Eu adoraria 'ligar/excitar' você". Naquela época, John Lennon estava no auge de suas experiências com o LSD.
A letra de Paul McCartney é mais pessoal. Refere-se a alguém que acorda, toma o café-da-manhã, sai atrasado para trabalhar, entra no ônibus e vai para a parte de cima (os ônibus britânicos têm dois andares). Então, fuma e entra em um sonho: "Found my way upstairs and had a smoke / Somebody spoke and I went into a dream" (Acomodei-me no andar de cima e acendi um cigarro, alguém falou e então entrei em um sono (transe)). Esta última parte da letra é uma referência explícita a uma "viagem" ocasionada pelo uso de droga, neste caso, a maconha.
Uma orquestra de 40 músicos participa da música para criar o efeito apoteótico no meio e no final.
Amigos e convidados especiais (Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richards, Donovan, Pattie Boyd e Michael Nesmith, entre outros), apito para cachorros e um trecho invertido (mensagens ocultas?) compõe o resto dessa incrível loucura.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Eu já sabia

É o mais amado e por isso mesmo o mais odiado. Ninguém ia facilitar para o Corinthians e o time é incapaz de vencer ou marcar muitos gols, portanto a segundona já veio faz tempo.
O imenso barrigão do Dualib foi empurrando vários vícios durante anos, tinha que dar merda.
Agora é aproveitar essa chance para mudar tudo.