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domingo, 24 de abril de 2011

São Paulo lidera apreensão de armas de fogo no país

O massacre em uma escola municipal do Rio de Janeiro no dia 7 reacendeu no país a polêmica sobre o comércio e uso de armas de fogo.


No estado de São Paulo, especialistas em segurança pública afirmam que ainda há avanços necessários para evitar mortes e violência, mas o estado já é o que mais apreende mais armas em todo o Brasil.

Segundo dados do Ministério da Justiça do SINESPJC (Sistema Nacional de Estatística de Segurança Pública e Justiça Criminal), em 2009 São Paulo registrou a apreensão de 21.880 armas. O segundo estado em apreensões foi a Bahia, com 4.919. Os dados do ano passado ainda não foram catalogados.

Dois lados /A diretora do Instituto Sou da Paz, Melina Risso, atribui isso a uma política de controle de armas adequada no estado, desde 1999, que além do Exército e da Polícia Federal, órgãos obrigados a fazer o controle e a fiscalização de armas no país, também conta em São Paulo com o apoio da Polícia Militar.

Mas o grande número de apreensões acontece também porque São Paulo é o estado que mais compra armas. Segundo dados da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, no ano de 2010 São Paulo liderou colocando nas ruas 43.594 armas de fogo.

Segundo um levantamento realizado pela ONG Viva Rio em parceria com o Ministério da justiça, existem hoje em circulação no Brasil cerca de 16 milhões de armas de fogo, sendo 7,6 milhões ilegais. Mais de 90% das armas ilegais são produzidas e desviadas para o crime dentro do país.

“Esse massacre mostra, de forma muito trágica e dura, que o nosso problema com armas de fogo tem muito mais a ver com questões de controle interno do que externo”, comenta o pesquisador do Programa de Controle de Armas do Viva Rio, Júlio César Purcena.

A PM de São Paulo informou que desenvolve programas para desarmamento em escolas e na comunidade. A PM apreendeu 12.388 armas em 2010.
 
 
‘O plebiscito pode tirar o foco do que realmente importa’
O senador José Sarney (PMDB-AP) defende a realização de um plebiscito que pode perguntar aos brasileiros se o comércio de armas deve ser completamente banido do país.


A diretora da Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Instituto Sou da Paz, Melina Risso, que há mais de 10 anos trabalha pela prevenção da violência no Brasil, disse que o plebiscito pode encobrir o que realmente importa no país, a fiscalização maior do comércio de armas. “Seria melhor proibir tudo, mas já tivemos uma consulta pública que negou isso. O essencial mesmo seria a efetivação de medidas de controle, que não estão sendo feitas. O plebiscito tira o foco do que realmente importa”, afirma.

Ela considera o atual Estatuto do Desarmamento excelente, mas enumera ações necessárias como melhorar a qualidade da informação sobre os meios legais para comprar uma arma ou de como participar da campanha de desarmamento, que é contínua.

Também seria necessário mais investimento em recursos humanos para fiscalizar a venda de armas.

“Há também dois grandes bancos de dados sobre comércio de armas de fogo no Brasil, do Exército e da Polícia Federal. Até hoje eles não foram integrados para melhorar a fiscalização no Brasil”, completa.



 
 
Exército controla fabricação de armas


A fiscalização da produção, exportação, importação e dos estabelecimentos comerciais autorizados a vender armas cabe somente ao Exército. A tarefa envolve 1,5 mil militares, de 270 unidades, que integram uma rede coordenada pela DFPC (Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados).







7,6 mi

A Polícia Federal tem cadastradas no país 7.638.245 de armas.







16 mi

O Movimento Viva Rio estima que há 16 milhões de armas em circulação no país.





Deputado quer armas de fogo com chips



O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), enviou projeto de lei para obrigar as fábricas de armamento a usar chip, contendo os dados de identificação e segurança nas armas de fogo.







Arma de massacre começou legalizada

O revólver calibre 32 que Wellington Meneses usou para matar crianças no Rio foi comprado só por R$ 260 de dois intermediários neste ano. Mas o primeiro dono da arma a adquiriu legalmente, em 1994. Logo depois a arma foi roubada e entrou para o comércio ilegal do mundo do crime.
 
 
 

Venda de armas no Estado de São Paulo
2006 - 10.908

2007 - 11.414

2008 - 33.577

2009 - 38.638

2010 - 43.594

No Brasil
2006 - 81.642

2007 - 92.735

2008 - 133.754

2009 - 118.414

2010 - 123.380


Fonte: DFPC (Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados) do Exército

sábado, 19 de março de 2011

Na prática, visita de Obama é simbólica



O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, inicia hoje pela manhã em Brasília sua visita oficial ao Brasil. Esse ato inaugura uma reaproximação dos países, estremecida no governo Lula, no entanto,  temas de interesse do Brasil devem ficar de lado.

A última visita de um presidente da maior potência do planeta havia sido em 2007, com George W. Bush. Desde então, os EUA  e Brasil viveram um clima de antagonismo principalmente com os episódios de Honduras e do Irã.

Para a cientista política, professora da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), Denilde Holzhacker, as inclinações ideológicas da diplomacia brasileira diminuíram no governo Dilma Rousseff, o que favorece uma reaproximação com os EUA. “As declarações da presidente mostram isso, como o sinal de que não vai tolerar as violações dos direitos humanos. Mas vale lembrar que para outros países controversos não houve mudança até agora no tratamento, como Venezuela e Cuba”, comenta.

Demandas/O governo brasileiro e o empresariado têm muitos interesses nos EUA. Por exemplo,  o Brasil quer apoio para ter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas reformado.

Denilde praticamente descarta que Obama anuncie isso em sua viagem, como fez no ano passado em relação à Índia. “Se esse apoio for dado só deve ocorrer no contexto de uma reforma mais ampla na ONU, mas um apoio direto não. Os EUA não querem se indispor com outras nações latinas, como o México e a Argentina”, afirma.

No lado econômico, o Brasil teve um deficit comercial de US$ 7,8 bilhões com os EUA no ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

A economista e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e no curso de relações internacionais da ESPM, Cristina Helena Pinto de Mello, afirma que será difícil inverter esse número. “Os EUA também contam com o Brasil para sair de sua crise, querem vender ainda mais para cá. Acordos bilaterais de comércio poderiam ajudar o Brasil, como acontece com o Chile e os EUA, mas isso deve demorar para acontecer”, disse.

O Brasil também tem interesse na liberalização das exportações de etanol, mas isso esbarra na pressão interna nos EUA por subsídios ao etanol de milho americano. Para Cristina esse assunto também terá uma negociação lenta. Ainda no campo energético, a economista vê uma oportunidade futura: os EUA poderiam diminuir a dependência dos árabes com o petróleo do pré-sal .

Ela ainda lembra que no presente os EUA querem apoio do Brasil para pressionar a China para valorizar o yuan. Será uma saia justa para o governo Dilma porque a China já é o maior parceiro comercial brasileiro.


O discurso na Cinelândia, no Rio, foi cancelado. O motivo não foi divulgado.

Obama deve discursar no Theatro Municipal do Rio, mas apenas para convidados.


4 Boas notícias para o Brasil com a visita
Reconhecimento do governo
Os EUA sinalizam que reconhecem o novo governo de Dilma Rousseff

Nova fase de cooperações
Visita demonstra possibilidade de uma nova fase de cooperações nas áreas comercial, tecnológica, energética e espacial. Por exemplo, será assinado um acordo piloto na área de patentes com o Brasil

Encontro
de negócios
Hoje 200 empresários norte-americanos da comitiva de Obama vão se reunir com 200 colegas brasileiros para discutir negócios

Acordos serão assinados
Serão assinados acordos sociais e de educação em prol da igualdade racial, por exemplo, acordos entre universidades para conceder bolsas de estudos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Toyota mira mercado brasileiro de compactos; Sorocaba terá nova fábrica

Foto Luís Cardoso

Em visita a Bauru nesta quarta-feira, o vice-presidente senior da Toyota Mercosul, Luiz Carlos Andrade Junior, falou dos planos da montadora japonesa para o Brasil nos próximos anos.

A empresa tem hoje apenas 3% do mercado nacional, mas quer subir muito esse percentual ao entrar no segmento dos carros compactos, com preços entre R$ 25 mil e R$ 55 mil. “A fábrica que será instalada em Sorocaba vai construir esse novo veículo. Ela foi concebida para isso. A previsão é começar a produzir a partir de 2011”, conta.

O carro compacto da Toyota que será comercializado no Brasil e também na Índia ainda não tem nem nome. “Para concorrer no Brasil está sendo desenvolvido um novo veículo no Japão por nossos engenheiros”, explica.

Hoje a Toyota atua no Brasil principalmente com o Corolla, feito em Indaiatuba. Outro veículo muito vendido no país é o Hilux SW4 feito na Argentina. Em janeiro, a Toyota desbancou a GM e se tornou a maior montadora do mundo com 8,35 milhões de unidades comercializadas em 2008.


Concessionária abrange a região
São Paulo é o principal mercado do Brasil para a Toyota. No ano passado foram comercializados no Estado 29.052 unidades dos modelos Corolla, Fielder, SW4 e Hilux.

Em Bauru, a marca vendeu nos nove meses deste ano 256 unidades, com destaque para a participação de mercado do Corolla, de 29%, dois pontos acima da média nacional.

Os executivos estiveram na quarta-feira em Bauru para a inauguração da concessionária Mori Motor’s.

Humberto Carlos Chaim, diretor da concessionária, conta que o principal nome vendido, o Corolla, pode ser encontrado a partir de R$ 56 mil. “Pretendemos atingir um raio de 100 km. Investimos em Bauru porque acreditamos no progresso e no potencial da cidade e região”, conta.

Estimativas de mercado afirmam que o investimento em Sorocaba será de US$ 1 bilhão e produção de cerca de 150 mil veículos por ano.