quinta-feira, 22 de julho de 2010

Com turboélices, Azul terá mais voos no interior de SP


A Azul Linhas Aéreas terá mais voos no interior de São Paulo a partir do 2o. semestre do ano que vem.
O anúncio foi feito na manhã de ontem em entrevista coletiva em São Paulo. Atualmente a empresa tem como base principal o aeroporto de Viracopos em Campinas.
Para atuar em outras cidades do interior do estado o presidente executivo da Azul, Pedro Janot, disse que vai passar a atuar em outro nicho de mercado. “Observamos demanda reprimida em cidades médias, pessoas que chegam a se deslocar até 700 km para poder voar pela Azul. Agora vamos passar a atender essas pessoas em suas cidades”, disse.
O início desse projeto será usando Viracopos para ligar cidades médias do Interior de São Paulo. A ideia é “alimentar” mais  Viracopos com passageiros e fugir de centros tidos como esgotados, como São Paulo e Rio.
Para atender no Interior a Azul também vai passar a adotar uma nova aeronave, a turboélice franco-italiana ATR 72-600s, com 70 lugares. Há um ano meio, a Azul iniciou sua atuação com jatos, usando o Embraer 195.
Ontem Janot confirmou a compra de 20 turboélices e mais a opção de compra de outros 20, um negócio de cerca de US$ 850 milhões.
As cidades que a Azul vai voar no Interior no próximo ano não foram reveladas. “Vai ter que arrancar meus olhos para eu falar”, brincou Janot. Porém ele disse que cidades médias estão no plano e possivelmente devem ter voos, como Bauru, Ribeirão Preto e Rio Preto.
Cidades como essas serão ligadas a Viracopos e de lá terão conexões para destinos como Brasília, Salvador, Porto Alegre, Manaus, Belo Horizonte, entre outras.
Disputa com a Trip é descartada
Divulgação
Miguel Dau durante a coletiva de ontem: estratégia inicial está mantida
Especialistas e executivos do setor aéreo afirmam que a estratégia da Azul com os novos turboélices seria focar a competição na Trip, que já opera nove turboélices ATR 72-500, e deixar de lado as grandes TAM e Gol.
Ontem Pedro Janot e o vice-presidente técnico-operacional, comandante Miguel Dau, negaram essa estratégia. “Não estamos abandonando nossa estratégia inicial, do hub bypass [estratégia de evitar aeroportos esgotados], ao contrário, isso agora será reforçado”, disse Janot.
Ontem a Trip por meio de sua assessoria de imprensa disse que também tem a intenção  de expandir sua atuação nas regiões em que já atua. No Interior, a empresa tem voos em Araçatuba, Campinas e Rio Preto.
Segundo a  Anac (Agência Nacional de Aviação Civil),  no mês passado a Trip teve 2,37% do fluxo total de passageiros no país e a  Azul teve  5,8%.
Anteontem a Embraer confirmou também a venda de cinco jatos do modelo 195 para Azul e dois Embraer 190 para a Trip.
‘Campinas precisa de atenção‘
Para o   vice-presidente técnico-operacional da Azul, comandante Miguel Dau, a aeroporto de Viracopos em Campinas tem condição de atender a demanda extra que a Azul vai buscar no Interior e em outras regiões do país.
Mas ontem ele reconheceu que há problemas. A companhia portuguesa TAP recentemente começou a operar em Viracopos e já há rumores de outras companhias interessadas da China e da Europa. “A infraestrutura de Viracopos precisa ser melhorada para essas novas empresas. A TAP teve problemas graves em seu terminal”, afirma Miguel.
Viracopos, que é administrado pela Infraero, vem apresentando um super crescimento de passageiros. Em 2002 eram 787.161 e no ano passado foram 3.364.300 passageiros, alta de 327%. No dia 14, a Infraero prometeu R$ 6,48 bilhões para os aeroportos brasileiros, entre eles Viracopos, por conta da Copa de 2014.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Trem-bala tem edital lançado em ato pró-Dilma



O governo federal lançou ontem  o edital do TAV (Trem de Alta Velocidade), conhecido como trem-bala, que  ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas.
Serão obrigatórias estações na cidade do Rio de Janeiro, no aeroporto do Galeão, em Aparecida, em Guarulhos, no centro de São Paulo (Campo de Marte), em Viracopos e em Campinas. Duas estações são consideradas opcionais, em Jundiaí e em Resende (RJ). O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estima a criação de 72 mil empregos.  
 No lançamento do edital, o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva não poupou a chance de fazer palanque e creditou à candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, o sucesso do trabalho. “Na verdade, não poderia falar o nome dela por conta da campanha eleitoral, mas a história a gente não pode esconder por conta de eleição. A verdade é que a companheira  Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV”, disse Lula. 
O  leilão que definirá a empresa ou consórcio que será responsável pela construção do trem-bala será 16 de dezembro. Vence  quem oferecer a menor tarifa. O preço inicial será de 
R$ 199,73 e valor máximo de R$ 0,49 por quilômetro.
O total do projeto é  de 
R$ 33,1 bilhões previstos para o projeto. O presidente Lula afirmou ser plenamente “possível inaugurar essas obras até 2016” para as Olimpíadas do Rio.

Caixa prevê financiar moradias em até 72 horas


A CEF (Caixa Econômica Federal) pretende tornar mais rápida a liberação do financiamento habitacional no país.
Ontem a área de habitação do banco em sua  matriz, em Brasília, informou que atualmente a meta da CEF é  concluir as operações de crédito imobiliário em até nove dias. Este prazo ainda varia, dependendo da capacidade operativa das agências.
Mas o banco pretende dar um “pulo do gato” até o final do primeiro semestre do próximo ano e atingir o prazo máximo de  72 horas (três dias) para a liberação.
Novo conceito
Ontem a CEF explicou que a  redução do prazo de tramitação dos pedidos de financiamentos habitacionais depende fundamentalmente de dois aspectos, quais sejam, inovações no processo, ampliando a automação e informatização, e a  ampliação dos canais de atendimento.
Para atender essas duas necessidades o banco conta que está implantando um modelo de correspondente imobiliário, em fase  piloto de testes, que pretende ser um embrião do novo modelo operacional do banco.
A fase piloto está ocorrendo em oito estados, incluindo São Paulo. O modelo está em testes inicialmente em locais como construtoras, incorporadoras, imobiliárias  e lotéricas.
Normalmente para liberar um financiamento imobiliário a CEF recebe e analisa a documentação pessoal e de renda do proponente comprador, do vendedor e do imóvel e avalia  o imóvel dado como garantia do financiamento. O contrato  deve ser assinado por comprador e vendedor e registrado em cartório antes do dinheiro ser liberado.  

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tribunal de Contas da União vai limitar tarifa do trem-bala

O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu nesta quarta-feiraque a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) poderá levar adiante a licitação para concessão do serviço de transporte de passageiros por meio de TAV  (Trem de Alta Velocidade), o chamado trem-bala entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Segundo avaliação técnica do TCU, as tarifas necessárias e suficientes para conferir rentabilidade ao serviço são de até R$ 149,85 e R$ 199,73, referentes à classe econômica, para os horários normais e de pico, respectivamente. A revisão de tarifas será feita a cada cinco anos.

O trem-bala entre São Paulo e Rio deve incluir também um ramal ligando a capital paulista a Campinas. O projeto é de R$ 33 bilhões. Vencerá a concorrência para construir e operar quem oferecer a menor tarifa.  O percurso entre São Paulo e Rio será feito em uma hora e 33 minutos.

Segundo estimado pela ANTT, o trajeto do TAV envolve cerca de 90,9 km de túneis, 103,0 km de pontes e viadutos, e o somatório de receita operacional bruta totalizará R$ 192,7 bilhões durante a vigência do arrendamento, que deverá ser de 40 anos.

A análise do estudo de viabilidade técnica e econômica realizada, segundo o TCU, visa avaliar se o modelo escolhido para implementação do projeto é o mais adequado ao fim proposto pelo governo e se a rentabilidade do empreendedor, refletida no preço da tarifa, é garantida de forma justa também para o usuário. O estudo observa ainda a viabilidade ambiental da concessão.

Atrasos

Em face de impropriedades constatadas, o TCU determinou que a ANTT corrigisse os estudos de viabilidade enviados ao Tribunal, considerando, no mínimo, os elementos do projeto básico que permitissem a plena caracterização dos investimentos previstos, com adequado estudo geológico-geotécnico, otimização do traçado referencial e orçamento detalhado, fundamentado em quantitativos e custos unitários de serviços e fornecimentos devidamente avaliados e demonstrados.

O relator do processo, ministro Augusto Nardes, destacou que a precariedade inicial dos elementos essenciais do projeto enviado prejudicou, sobremaneira, a celeridade da auditoria feita pelas equipes técnicas do TCU.

"Por diversas vezes o Tribunal tem sido indevidamente acusado de paralisar obras e sobrestar a ação governamental. No presente caso, resta límpida a atuação diligente do TCU e a falta de planejamento e de coordenação do governo com vistas à implementação de projeto de elevada magnitude, complexidade e importância”, criticou.

O trem-bala era esperado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como parte importante da infraestrutura de transporte, mas o governo brasileiro praticamente descartou isso. Agora a expectativa é que esteja pronto para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vem aí o ‘chuveiro flex’, promessa de economia

O vilão na conta de luz de milhões de brasileiros é o chuveiro elétrico, mas um programa do governo federal pode mudar parte disso.

Em entrevista o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) –  órgão de  planejamento do setor energético do Ministério de Minas e Energia – Maurício Tolmasquim, contou que a partir do próximo ano será lançado o “chuveiro flex”.

A iniciativa é um  chuveiro híbrido, isto é,  funciona com aquecimento solar, mas quando não há sol a água é aquecida com eletricidade. Segundo Maurício, esse é um dos projetos do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento).

No Orçamento Geral da União está previsto que na segunda fase do Minha Casa, Minha Vida as moradias tenham o chuveiro híbrido. A expectativa é atender 2 milhões de moradias de baixa renda. O custo será subsidiado. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões.

Para famílias com renda superior a três salários mínimos (R$  1.530) existirá uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal para estimular a compra em 660 mil residências que possuem o chuveiro convencional.

Economia geral
Maurício afirma considerar o projeto simples, por se tratar de tecnologia já existente, mas entende que o alcance  será muito amplo.

Para a baixa renda, a economia  média será de 40% na conta de luz. Para o país serão 1,2 mil gigawatt/hora economizados por ano. “Vai ser como um horário de verão permanente.

O gasto dos chuveiros é imenso no horário de pico, isso prejudica o sistema elétrico como um todo. Nossa expectativa é até afastar mais os perigos de blecautes no Brasil”, diz.

Aumento de renda
Consumo de classes C, D e E deve crescer 7% ao ano, diz Fecomercio
O consumo das classes C, D e E deve apresentar um crescimento superior das A e B até 2013. É o que aponta um estudo da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

O crescimento do consumo das famílias de faixas de renda até dez salários mínimos (R$ 5,1 mil) deve se manter entre 7% e 8% ao ano no período de 2010 a 2013.

Já para as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de crescimento do PIB.

Para a Fecomercio, a dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos e deve se sofisticar cada vez mais.

A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE. Nas classes C e D esse peso chega a  27%.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

As pátrias de Kafka



Franz Kafka (1883-1924) nasceu no antigo Império Austro-Húngaro em Praga. Cresceu sob as influências das culturas judaica, tcheca e alemã, tanto que escreveu seus livros em alemão. Em “O Desaparecido ou Amerika”, romance inacabado escrito entre 1912 e 1914, o escritor recria os Estados Unidos sem nunca ter saído da Europa. Kafka morreu em Klosterneuburg na Áustria, vítima de tuberculose.
            Formado em direito e trabalhando em uma companhia de seguros, Kafka teve uma vida monótona, burocrática e breve. Mas a sensibilidade desse homem o permitiu ser um cidadão do mundo em seus livros. Um dos autores que melhor traduziu a difícil vida do homem moderno nas grandes cidades.
            A partir de 10 de abril é a vez de Franz Kafka desembarcar em São Paulo. A Casa das Rosas vai abrigar o “Território Kafka”. Em cada cômodo, umas séries de atividades vão explorar as diversas faces e fases desse autor considerado por vezes tão incômodo e verdadeiro.
            A curadora da exposição, a bacharel em artes cênicas Solange Akierman, conta que o projeto surgiu a partir da descoberta de uma frase histórica atribuída a Kafka ao mirar a Praça da Cidade Velha de Praga e perceber a proximidade de três lugares que seu dedo delineava (escola, faculdade, emprego). Ele disse: “Esse pequeno círculo contém toda a minha vida”.  “Ora, se numa cidade como Praga especificamente a Praça da Cidade Velha há três lugares que contém toda a vida de Kafka por que não transportar esse mesmo círculo para uma outra cidade, São Paulo? Por isso foram escolhidos na Casa das Rosas três cômodos e em cada um serão feitas várias atividades que abordem as diversas faces e fases de Kafka. É o círculo paulista de Praga”, fala.
            Outro marco para homenagear Kafka é que em 2010 uma obra do autor, “O Processo”, um dos mais importantes livros da literatura universal, completa 85 anos de sua primeira edição. A primeira edição foi em 1925, um ano após a morte do autor. Um dado curioso a esse respeito é que um dos poucos exemplares dessa histórica edição encontra-se aqui no Brasil, trazida da Europa pelo ensaísta Otto Maria Carpeaux que chegou a conhecer Kafka e foi o primeiro que escreveu sobre ele no país. Atualmente esse exemplar encontra-se no acervo da Biblioteca Mário de Andrade.
As faces 
            A exposição Território Kafka é dividida entre a mostra de edições especiais de obras do autor tcheco, presentes na biblioteca do poeta Haroldo de Campos; da leitura de alguns trechos da obra “Carta ao pai”, na qual o público é convidado a participar; da exibição de registros audiovisuais de espetáculos teatrais da Cia. Borelli de Dança, inspirados na obra de Kafka; uma série de encontros que terão como base as formulações iniciais do texto “Esperando por Kafka”, de Vilém Flusser, para um possível estudo cênico das obras; e de uma mesa redonda para discutir o autor.
            O debate sobre Kafka está marcado para 22 de abril. A mesa reunirá a escritora Jeanette Rozsas, autora do romance biográfico “Kafka e a marca do corvo”; o escritor Juliano G. Pessanha, autor do livro “Instabilidade perpétua”; o professor Enrique Mandelbaum, autor do livro “Kafka: um judaísmo na ponte do impossível”; e o psicólogo e professor de Mitologia, Guilherme Kwasinski. A professora de literatura Luana Chnaiderman fará a mediação.
            Na exposição ‘“Da Bibliocasa” estarão disponíveis edições em alemão e a obra mais antiga nessa língua data de 1958 (“Der Prozess”)”. O acervo Haroldo de Campos possui 28 títulos relacionados diretamente a Franz Kafka.
Para Solange os livros de Kafka continuam muito ligados com nossa realidade atual, tanto que já é lugar comum empregar o adjetivo “kafkiano’ quando nos vemos envolvidos em situações de impotência diante de um poder maior, burocrático e impessoal que nos controla e nos impede de agir em direção a uma solução desejável, transformando todos os nossos esforços num padrão de iniciativas inúteis. “Kafka dizia de Praga algo que pode muito bem ser aplicado a São Paulo. Ele dizia: Praga não nos largará… esta mãezinha tem garras”, destaca.
Um de seus personagens mais conhecidos é Gregor Samsa, de “Metamorfose”. Ele é o homem transformado em uma barata dentro de uma realidade opressora e burocrática. Gregor reproduz a sensação do homem que virou o inseto insignificante das cidades.

O que é a Casa das Rosas
Localizado no número 37 da Avenida Paulista, o casarão foi projetado pelo escritório do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo pouco antes de sua morte, tendo a construção terminada em 1935. A casa abrigaria a residência de uma de suas filhas. O imóvel foi habitado até 1986, quando sofreu desapropriação pelo governo do estado de São Paulo.
Casa das Rosas
Em 1991 foi então inaugurado um espaço cultural batizado de "Casa das Rosas". Recebeu esse nome pois possuía um dos maiores e mais belos jardins de rosas da cidade. A partir de 2004, a Casa se tornou o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e passou a ser administrada pelo professor e poeta Frederico Barbosa.
A Casa recebeu a doação do acervo completo de livros e também alguns objetos pessoais do poeta Haroldo de Campos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Consumo da base popular ultrapassa o da classe alta


A estabilidade e a trajetória de crescimento da economia nacional finalmente estão levando milhões de brasileiros para o mercado de consumo.

A expectativa para 2010 é de que o consumo popular já ultrapasse  o das classes altas.  É o que mostra o estudo Tendências da Maioria, realizado pelo Data Popular com 2.093 entrevistados em todo o Brasil.

De acordo com a pesquisa, as classes A e B devem consumir neste ano um total de R$ 545,6 bilhões. Já para as classes C e  D, o número esperado é de  R$ 808,8 bilhões. Se for incluída a classe E (R$ 25 bilhões), o total de consumo popular chega a R$ 833,8 bilhões.

O Data Popular é um instituto de pesquisa voltado para as classes C e D e E. Seu sócio-diretor, Renato Meirelles, afirma que o grande destaque para 2010 deve ser a classe D, que reúne cerca de 70 milhões de pessoas com renda de 1 a 3 salários mínimos (R$ 510 a R$ 1.530).

Com R$ 381 bilhões para gastar em 2010, a expectativa é de que a massa de renda da classe D ultrapasse a da classe B ainda este ano – as 20 milhões de pessoa da faixa B, com renda entre 10 e 20 salários mínimos (R$ 5,1 mil a R$ 10,2 mil), deve ter para gastar, neste ano, um total de R$ 329,5 bilhões. A estimativa de número de pessoas  por classes é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados de 2009.

“A população da classe D ainda é maior que a das classes A e B juntas, o que já é um bom indicativo do potencial de consumo. Esta é a faixa social que representa a transição da baixa renda para uma vida melhor, pois absorve um grande número de brasileiros de saída da linha da pobreza e impulsiona o crescimento da classe média”, comenta Renato.

O Data Popular afirma que, neste ano, o consumo dos emergentes deve se direcionar para os bens duráveis, como TVs de plasma, computadores, geladeiras e automóveis, e para serviços como viagens aéreas e cursos.

Emprego e renda são as explicações
O economista e conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia), Pedro Afonso Gomes, analisa que a estabilização de preços, sem dúvida, foi um fator importante para aumentar o arco dos consumidores potenciais – mas, no caso brasileiro, não foi o suficiente. “Até o início de 2003, o nível de emprego e da atividade econômica reduziu-se significativamente em relação ao período pré-Real, com o encerramento das atividades de muitas empresas. Nos últimos sete anos, houve uma elevação significativa e sustentada do emprego e da renda, criando postos formais e informais, o que permite ao empresariado pensar a longo prazo e aos trabalhadores adquirirem bens de consumo e duráveis antes inacessíveis”, comenta.

No caso dos itens essenciais, Pedro aponta que as classes C, D e E sempre os consumiram, mas produtos de qualidade ou preço inferiores. A entrada das classes C, D e E no mercado consumidor fez com que a maior escala produtiva permitisse menores preços para todos. “Nesse sentido, a elevação do padrão de vida dos mais pobres ajudou também a reduzir o custo de vida do menos pobres”, opina.


Preço e marca definem compra da classe popular
O operador de empilhadeira Hamilton Ramos da Cruz, 53 anos, é solteiro e mora sozinho. Como em tantas outras vezes,  nesta semana foi a um supermercado  para comprar seu almoço.

Pela praticidade, ele optou por uma lasanha pronta de R$ 6,90. “Na correria e porque moro sozinho, costumo fazer isso. Mas levo uma marca saborosa, já não pesa tanto no bolso”, conta.

Esse é o padrão de consumo que a pesquisa Data Popular aponta: a classe D tem aspirações de consumo realistas. São  famílias emergentes que fazem o orçamento render, buscam crédito e conseguem planejar a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis, por exemplo. Essa mesma preocupação com o custo-benefício vale para os demais produtos, de alimentos a roupas, já que esse consumidor não pode errar na hora da compra.

O sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, afirma que, justamente por isso, o fator preço tem um peso importante, mas cada vez mais relativo “Ele já entende que as marcas podem garantir a qualidade do produto, mas continua orgulhoso de buscar promoções.”

A aposentada Maria Izabel Mafra, 65, é outro exemplo. Morando com dois filhos e um neto, ela  prefere fazer suas refeições, mas não abre mão das marcas. “Para mim, sai mais barato cozinhar e procuro  avaliar as marcas. Tem muito barato que sai caro, a comida não rende ou é péssima”, fala.

Para o Data Popular, alguns segmentos da indústria, do comércio e dos serviços já perceberam a importância do consumidor emergente – exemplo é o lançamento de  produtos e alimentos em embalagens familiares mais econômicas. No mesmo caminho, a rede Walmart anunciou neste ano o investimento de R$ 2,2 bilhões no Brasil para abrir 110 lojas, a maioria voltada para a classe popular, como a bandeira TodoDia.