O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu nesta quarta-feiraque a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) poderá levar adiante a licitação para concessão do serviço de transporte de passageiros por meio de TAV (Trem de Alta Velocidade), o chamado trem-bala entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Segundo avaliação técnica do TCU, as tarifas necessárias e suficientes para conferir rentabilidade ao serviço são de até R$ 149,85 e R$ 199,73, referentes à classe econômica, para os horários normais e de pico, respectivamente. A revisão de tarifas será feita a cada cinco anos.
O trem-bala entre São Paulo e Rio deve incluir também um ramal ligando a capital paulista a Campinas. O projeto é de R$ 33 bilhões. Vencerá a concorrência para construir e operar quem oferecer a menor tarifa. O percurso entre São Paulo e Rio será feito em uma hora e 33 minutos.
Segundo estimado pela ANTT, o trajeto do TAV envolve cerca de 90,9 km de túneis, 103,0 km de pontes e viadutos, e o somatório de receita operacional bruta totalizará R$ 192,7 bilhões durante a vigência do arrendamento, que deverá ser de 40 anos.
A análise do estudo de viabilidade técnica e econômica realizada, segundo o TCU, visa avaliar se o modelo escolhido para implementação do projeto é o mais adequado ao fim proposto pelo governo e se a rentabilidade do empreendedor, refletida no preço da tarifa, é garantida de forma justa também para o usuário. O estudo observa ainda a viabilidade ambiental da concessão.
Atrasos
Em face de impropriedades constatadas, o TCU determinou que a ANTT corrigisse os estudos de viabilidade enviados ao Tribunal, considerando, no mínimo, os elementos do projeto básico que permitissem a plena caracterização dos investimentos previstos, com adequado estudo geológico-geotécnico, otimização do traçado referencial e orçamento detalhado, fundamentado em quantitativos e custos unitários de serviços e fornecimentos devidamente avaliados e demonstrados.
O relator do processo, ministro Augusto Nardes, destacou que a precariedade inicial dos elementos essenciais do projeto enviado prejudicou, sobremaneira, a celeridade da auditoria feita pelas equipes técnicas do TCU.
"Por diversas vezes o Tribunal tem sido indevidamente acusado de paralisar obras e sobrestar a ação governamental. No presente caso, resta límpida a atuação diligente do TCU e a falta de planejamento e de coordenação do governo com vistas à implementação de projeto de elevada magnitude, complexidade e importância”, criticou.
O trem-bala era esperado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como parte importante da infraestrutura de transporte, mas o governo brasileiro praticamente descartou isso. Agora a expectativa é que esteja pronto para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
terça-feira, 6 de julho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Vem aí o ‘chuveiro flex’, promessa de economia
O vilão na conta de luz de milhões de brasileiros é o chuveiro elétrico, mas um programa do governo federal pode mudar parte disso.
Em entrevista o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) – órgão de planejamento do setor energético do Ministério de Minas e Energia – Maurício Tolmasquim, contou que a partir do próximo ano será lançado o “chuveiro flex”.
A iniciativa é um chuveiro híbrido, isto é, funciona com aquecimento solar, mas quando não há sol a água é aquecida com eletricidade. Segundo Maurício, esse é um dos projetos do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento).
No Orçamento Geral da União está previsto que na segunda fase do Minha Casa, Minha Vida as moradias tenham o chuveiro híbrido. A expectativa é atender 2 milhões de moradias de baixa renda. O custo será subsidiado. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões.
Para famílias com renda superior a três salários mínimos (R$ 1.530) existirá uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal para estimular a compra em 660 mil residências que possuem o chuveiro convencional.
Economia geral
Maurício afirma considerar o projeto simples, por se tratar de tecnologia já existente, mas entende que o alcance será muito amplo.
Para a baixa renda, a economia média será de 40% na conta de luz. Para o país serão 1,2 mil gigawatt/hora economizados por ano. “Vai ser como um horário de verão permanente.
O gasto dos chuveiros é imenso no horário de pico, isso prejudica o sistema elétrico como um todo. Nossa expectativa é até afastar mais os perigos de blecautes no Brasil”, diz.
Aumento de renda
Consumo de classes C, D e E deve crescer 7% ao ano, diz Fecomercio
O consumo das classes C, D e E deve apresentar um crescimento superior das A e B até 2013. É o que aponta um estudo da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
O crescimento do consumo das famílias de faixas de renda até dez salários mínimos (R$ 5,1 mil) deve se manter entre 7% e 8% ao ano no período de 2010 a 2013.
Já para as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de crescimento do PIB.
Para a Fecomercio, a dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos e deve se sofisticar cada vez mais.
A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE. Nas classes C e D esse peso chega a 27%.
Em entrevista o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) – órgão de planejamento do setor energético do Ministério de Minas e Energia – Maurício Tolmasquim, contou que a partir do próximo ano será lançado o “chuveiro flex”.
A iniciativa é um chuveiro híbrido, isto é, funciona com aquecimento solar, mas quando não há sol a água é aquecida com eletricidade. Segundo Maurício, esse é um dos projetos do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento).
No Orçamento Geral da União está previsto que na segunda fase do Minha Casa, Minha Vida as moradias tenham o chuveiro híbrido. A expectativa é atender 2 milhões de moradias de baixa renda. O custo será subsidiado. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões.
Para famílias com renda superior a três salários mínimos (R$ 1.530) existirá uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal para estimular a compra em 660 mil residências que possuem o chuveiro convencional.
Economia geral
Maurício afirma considerar o projeto simples, por se tratar de tecnologia já existente, mas entende que o alcance será muito amplo.
Para a baixa renda, a economia média será de 40% na conta de luz. Para o país serão 1,2 mil gigawatt/hora economizados por ano. “Vai ser como um horário de verão permanente.
O gasto dos chuveiros é imenso no horário de pico, isso prejudica o sistema elétrico como um todo. Nossa expectativa é até afastar mais os perigos de blecautes no Brasil”, diz.
Aumento de renda
Consumo de classes C, D e E deve crescer 7% ao ano, diz Fecomercio
O consumo das classes C, D e E deve apresentar um crescimento superior das A e B até 2013. É o que aponta um estudo da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
O crescimento do consumo das famílias de faixas de renda até dez salários mínimos (R$ 5,1 mil) deve se manter entre 7% e 8% ao ano no período de 2010 a 2013.
Já para as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de crescimento do PIB.
Para a Fecomercio, a dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos e deve se sofisticar cada vez mais.
A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE. Nas classes C e D esse peso chega a 27%.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
As pátrias de Kafka
Franz Kafka (1883-1924) nasceu no antigo Império Austro-Húngaro em Praga. Cresceu sob as influências das culturas judaica, tcheca e alemã, tanto que escreveu seus livros em alemão. Em “O Desaparecido ou Amerika”, romance inacabado escrito entre 1912 e 1914, o escritor recria os Estados Unidos sem nunca ter saído da Europa. Kafka morreu em Klosterneuburg na Áustria, vítima de tuberculose.
Formado em direito e trabalhando em uma companhia de seguros, Kafka teve uma vida monótona, burocrática e breve. Mas a sensibilidade desse homem o permitiu ser um cidadão do mundo em seus livros. Um dos autores que melhor traduziu a difícil vida do homem moderno nas grandes cidades.
A partir de 10 de abril é a vez de Franz Kafka desembarcar em São Paulo. A Casa das Rosas vai abrigar o “Território Kafka”. Em cada cômodo, umas séries de atividades vão explorar as diversas faces e fases desse autor considerado por vezes tão incômodo e verdadeiro.
A curadora da exposição, a bacharel em artes cênicas Solange Akierman, conta que o projeto surgiu a partir da descoberta de uma frase histórica atribuída a Kafka ao mirar a Praça da Cidade Velha de Praga e perceber a proximidade de três lugares que seu dedo delineava (escola, faculdade, emprego). Ele disse: “Esse pequeno círculo contém toda a minha vida”. “Ora, se numa cidade como Praga especificamente a Praça da Cidade Velha há três lugares que contém toda a vida de Kafka por que não transportar esse mesmo círculo para uma outra cidade, São Paulo? Por isso foram escolhidos na Casa das Rosas três cômodos e em cada um serão feitas várias atividades que abordem as diversas faces e fases de Kafka. É o círculo paulista de Praga”, fala.
Outro marco para homenagear Kafka é que em 2010 uma obra do autor, “O Processo”, um dos mais importantes livros da literatura universal, completa 85 anos de sua primeira edição. A primeira edição foi em 1925, um ano após a morte do autor. Um dado curioso a esse respeito é que um dos poucos exemplares dessa histórica edição encontra-se aqui no Brasil, trazida da Europa pelo ensaísta Otto Maria Carpeaux que chegou a conhecer Kafka e foi o primeiro que escreveu sobre ele no país. Atualmente esse exemplar encontra-se no acervo da Biblioteca Mário de Andrade.
As faces
A exposição Território Kafka é dividida entre a mostra de edições especiais de obras do autor tcheco, presentes na biblioteca do poeta Haroldo de Campos; da leitura de alguns trechos da obra “Carta ao pai”, na qual o público é convidado a participar; da exibição de registros audiovisuais de espetáculos teatrais da Cia. Borelli de Dança, inspirados na obra de Kafka; uma série de encontros que terão como base as formulações iniciais do texto “Esperando por Kafka”, de Vilém Flusser, para um possível estudo cênico das obras; e de uma mesa redonda para discutir o autor.
O debate sobre Kafka está marcado para 22 de abril. A mesa reunirá a escritora Jeanette Rozsas, autora do romance biográfico “Kafka e a marca do corvo”; o escritor Juliano G. Pessanha, autor do livro “Instabilidade perpétua”; o professor Enrique Mandelbaum, autor do livro “Kafka: um judaísmo na ponte do impossível”; e o psicólogo e professor de Mitologia, Guilherme Kwasinski. A professora de literatura Luana Chnaiderman fará a mediação.
Na exposição ‘“Da Bibliocasa” estarão disponíveis edições em alemão e a obra mais antiga nessa língua data de 1958 (“Der Prozess”)”. O acervo Haroldo de Campos possui 28 títulos relacionados diretamente a Franz Kafka.
Para Solange os livros de Kafka continuam muito ligados com nossa realidade atual, tanto que já é lugar comum empregar o adjetivo “kafkiano’ quando nos vemos envolvidos em situações de impotência diante de um poder maior, burocrático e impessoal que nos controla e nos impede de agir em direção a uma solução desejável, transformando todos os nossos esforços num padrão de iniciativas inúteis. “Kafka dizia de Praga algo que pode muito bem ser aplicado a São Paulo. Ele dizia: Praga não nos largará… esta mãezinha tem garras”, destaca.
Um de seus personagens mais conhecidos é Gregor Samsa, de “Metamorfose”. Ele é o homem transformado em uma barata dentro de uma realidade opressora e burocrática. Gregor reproduz a sensação do homem que virou o inseto insignificante das cidades.
O que é a Casa das Rosas
Localizado no número 37 da Avenida Paulista, o casarão foi projetado pelo escritório do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo pouco antes de sua morte, tendo a construção terminada em 1935. A casa abrigaria a residência de uma de suas filhas. O imóvel foi habitado até 1986, quando sofreu desapropriação pelo governo do estado de São Paulo.
Casa das Rosas
Em 1991 foi então inaugurado um espaço cultural batizado de "Casa das Rosas". Recebeu esse nome pois possuía um dos maiores e mais belos jardins de rosas da cidade. A partir de 2004, a Casa se tornou o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e passou a ser administrada pelo professor e poeta Frederico Barbosa.
A Casa recebeu a doação do acervo completo de livros e também alguns objetos pessoais do poeta Haroldo de Campos.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Consumo da base popular ultrapassa o da classe alta
A estabilidade e a trajetória de crescimento da economia nacional finalmente estão levando milhões de brasileiros para o mercado de consumo.
A expectativa para 2010 é de que o consumo popular já ultrapasse o das classes altas. É o que mostra o estudo Tendências da Maioria, realizado pelo Data Popular com 2.093 entrevistados em todo o Brasil.
De acordo com a pesquisa, as classes A e B devem consumir neste ano um total de R$ 545,6 bilhões. Já para as classes C e D, o número esperado é de R$ 808,8 bilhões. Se for incluída a classe E (R$ 25 bilhões), o total de consumo popular chega a R$ 833,8 bilhões.
O Data Popular é um instituto de pesquisa voltado para as classes C e D e E. Seu sócio-diretor, Renato Meirelles, afirma que o grande destaque para 2010 deve ser a classe D, que reúne cerca de 70 milhões de pessoas com renda de 1 a 3 salários mínimos (R$ 510 a R$ 1.530).
Com R$ 381 bilhões para gastar em 2010, a expectativa é de que a massa de renda da classe D ultrapasse a da classe B ainda este ano – as 20 milhões de pessoa da faixa B, com renda entre 10 e 20 salários mínimos (R$ 5,1 mil a R$ 10,2 mil), deve ter para gastar, neste ano, um total de R$ 329,5 bilhões. A estimativa de número de pessoas por classes é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados de 2009.
“A população da classe D ainda é maior que a das classes A e B juntas, o que já é um bom indicativo do potencial de consumo. Esta é a faixa social que representa a transição da baixa renda para uma vida melhor, pois absorve um grande número de brasileiros de saída da linha da pobreza e impulsiona o crescimento da classe média”, comenta Renato.
O Data Popular afirma que, neste ano, o consumo dos emergentes deve se direcionar para os bens duráveis, como TVs de plasma, computadores, geladeiras e automóveis, e para serviços como viagens aéreas e cursos.
Emprego e renda são as explicações
O economista e conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia), Pedro Afonso Gomes, analisa que a estabilização de preços, sem dúvida, foi um fator importante para aumentar o arco dos consumidores potenciais – mas, no caso brasileiro, não foi o suficiente. “Até o início de 2003, o nível de emprego e da atividade econômica reduziu-se significativamente em relação ao período pré-Real, com o encerramento das atividades de muitas empresas. Nos últimos sete anos, houve uma elevação significativa e sustentada do emprego e da renda, criando postos formais e informais, o que permite ao empresariado pensar a longo prazo e aos trabalhadores adquirirem bens de consumo e duráveis antes inacessíveis”, comenta.
No caso dos itens essenciais, Pedro aponta que as classes C, D e E sempre os consumiram, mas produtos de qualidade ou preço inferiores. A entrada das classes C, D e E no mercado consumidor fez com que a maior escala produtiva permitisse menores preços para todos. “Nesse sentido, a elevação do padrão de vida dos mais pobres ajudou também a reduzir o custo de vida do menos pobres”, opina.
Preço e marca definem compra da classe popular
O operador de empilhadeira Hamilton Ramos da Cruz, 53 anos, é solteiro e mora sozinho. Como em tantas outras vezes, nesta semana foi a um supermercado para comprar seu almoço.
Pela praticidade, ele optou por uma lasanha pronta de R$ 6,90. “Na correria e porque moro sozinho, costumo fazer isso. Mas levo uma marca saborosa, já não pesa tanto no bolso”, conta.
Esse é o padrão de consumo que a pesquisa Data Popular aponta: a classe D tem aspirações de consumo realistas. São famílias emergentes que fazem o orçamento render, buscam crédito e conseguem planejar a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis, por exemplo. Essa mesma preocupação com o custo-benefício vale para os demais produtos, de alimentos a roupas, já que esse consumidor não pode errar na hora da compra.
O sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, afirma que, justamente por isso, o fator preço tem um peso importante, mas cada vez mais relativo “Ele já entende que as marcas podem garantir a qualidade do produto, mas continua orgulhoso de buscar promoções.”
A aposentada Maria Izabel Mafra, 65, é outro exemplo. Morando com dois filhos e um neto, ela prefere fazer suas refeições, mas não abre mão das marcas. “Para mim, sai mais barato cozinhar e procuro avaliar as marcas. Tem muito barato que sai caro, a comida não rende ou é péssima”, fala.
Para o Data Popular, alguns segmentos da indústria, do comércio e dos serviços já perceberam a importância do consumidor emergente – exemplo é o lançamento de produtos e alimentos em embalagens familiares mais econômicas. No mesmo caminho, a rede Walmart anunciou neste ano o investimento de R$ 2,2 bilhões no Brasil para abrir 110 lojas, a maioria voltada para a classe popular, como a bandeira TodoDia.
sábado, 3 de abril de 2010
O filho do coração que não conversou mais com o pai
O médium e líder espiritual Chico Xavier nunca se casou e não teve filhos biológicos. Mas ele teve um filho adotivo, que preferia chamar de “filho do coração”.
O dentista e empresário Eurípedes Humberto Higino dos Reis, 60 anos, foi adotado por Chico em 1959. Em entrevista de Uberada por telefone ele lembrou um pouco de sua vida ao lado do pai.
Ele conta que o primeiro encontro com o Chico Xavier foi em Uberaba. “Minha família é de Ituiutaba, que faz parte do triângulo mineiro. Em 1959 meu pai biológico morreu, eu tinha sete anos, e minha mãe resolveu visitar Chico Xavier para pedir conselhos do que fazer”, lembra.
Como fez durante quase toda vida, Chico Xavier atendia pessoas com problemas de saúde, espirituais ou só a procura de uma palavra de paz. Segundo Eurípedes, sua mãe, Carmem, quando chegou ao centro espírita de Chico Xavier foi prontamente recebida. “O Chico sentiu a presença dela e pediu para chamá-la. Mandou ela se acalmar e disse que já havia falado com o espírito do meu pai. Havia recebido um pedido dele para cuidar de mim, que prontamente aceitou. Na época não entendi muito bem tudo aquilo, mas fui me sentindo feliz aos poucos”, conta.
Eurípedes foi criado a partir daí por sua mãe e por Chico Xavier durante a infância, até que na adolescência passou a ajudar mais no trabalho de Chico pelo Brasil. “Para todos era um homem fora de série, mas para mim a lembrança mais querida era a do meu pai, um homem comum, carinhoso, que gostava de futebol, cuidadoso e que cobrava educação sempre”, diz.
Quase oito anos sem contato
Para um homem que em vida teve o dom de falar com os mortos, a tendência mais rápida é pensar que Chico Xavier enquanto morto, ou desencarnado como preferem os espíritas, continuaria se comunicando facilmente com o mundo dos vivos.
Seu filho Eurípedes, que não é médium, diz ter conhecimento de mais de 200 mensagens atribuídas a seu pai, mas afirma que todas são falsas. “Meu pai deixou uma senha comigo e com seu médico pessoal [também chamado Eurípedes] um pouco antes de morrer para identificar se era ele mesmo. Essa senha nunca foi dita desde então”, assegura.
Segundo ele ainda, o próprio pai teria dito em vida que quando desencarnasse “iria dar um tempo para o lápis e para o papel”.
No bairro Parque das Américas em Uberaba fica o Museu Chico Xavier, administrado pelo próprio Eurípedes. A casa de dois quartos onde morou na rua Dom Pedro 1º transformou-se num museu. Aberta para visitação, está exatamente como Chico a deixou. Todos os objetos pessoais não foram mudados de lugar, como, por exemplo, a coleção de boinas, meias e o sapato do médium.
“Cerca de 70% dos grupos espíritas formados no Brasil têm base nas orientações de meu pai. Muitos acreditam e inclusive eu que em uma de suas reencarnações Chico Xavier foi Allan Kardec [francês que estruturou a doutrina espírita no mundo]. Mas para mim a principal mensagem que ele deixou foi o amaivos uns aos outros”, destaca.
Filme e polêmicas
O centenário de nascimento de Chico Xavier será marcado pelo filme “Chico Xavier”, do diretor Daniel Filho. Eurípedes teve o privilégio de ver o filme três vezes, incluindo junto com o diretor em uma pré-estreia Uberaba no dia 12. “Gostei muito do filme, é emocionante lembrar meu pai em tudo que fez. Eu até apareço retratado em algumas cenas, mas bem rápido”, conta.
Eurípedes é detentor dos direitos da obra e imagem de Chico Xavier. Esse é um assunto que ele prefere não falar muito e que nega qualquer irregularidade moral ou legal. Cerca de dois anos antes da morte de Chico Xavier, seu filho e sua ex-nora, Christine Schulz, travaram uma batalha na Justiça pelos direitos da obra do médium. Houve também acusações de ambos sobre supostos desvio de donativos.
A onda continua
O ano do centenário de Chico Xavier também vai ser abordado pela TV Globo com a exibição de uma novela e de uma série com temática espírita, que entrarão na programação da emissora neste ano.
Prevista para estrear no dia 12 de abril, a novela “Escrito nas Estrelas” vai ter como um de seus protagonistas um estudante de medicina, Daniel, que morre logo no primeiro capítulo. Ele vai participar de toda a trama como um espírito.
Outra produção com temática espírita anunciada pela Globo é “A Cura”, escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein. A série deve entrar na grade da Globo no segundo semestre.
Na trama, que se passará no interior de Minas Gerais, um jovem médico é acusado de matar um colega. Contudo, ele descobre que tem o dom de curar pessoas por meio de cirurgias espirituais, feitas pelo espírito do colega morto. O espírito avisa ainda ao médico que a vida dele também está ameaçada. O seriado deverá ser protagonizado pelo ator Selton Mello.
Uma religião para regenerar
Além da vida após a morte, os espíritas também acreditam fazer parte de um trabalho de regeneração da humanidade. É o que fala Richard Simonetti, 74 anos, escritor e um dos grandes líderes da religião no Brasil atualmente. Ele é autor de 49 livros e é vice-presidente em Bauru do Ceac (Centro Espírita Amor e Caridade), que atende cerca de 25 mil pessoas por ano.
Richard afirma que o espiritismo vem numa vanguarda de esclarecimentos quanto aos porquês da vida. “Já tive o prazer de ouvir gente dizer que desistira de matar-se após ler meu livro ‘Suicídio, tudo o que você precisa saber’”, conta.
A doutrina espírita foi estruturada pelo pedagogo francês Allan Kardec (1804-1869) e pretende a integração da ciência, filosofia e moral. Richard opina que toda religião tem esses objetivos, mas afirma que são especulativas, baseadas em elucubrações, geralmente fantasiosas, de seus teólogos, fixadas lamentavelmente pelo dogma. “A doutrina foi codificada por Allan Kardec a partir de informações colhidas do mundo espiritual, com a participação de uma pleiade de espíritos superiores que assessoravam o codificador. Essas informações têm uma base científica de pesquisas que comprovam a realidade do fenômeno mediúnico, com consequências religiosas, na medida em que nos falam da existência de Deus, da imortalidade da alma humana e das consequências futuras de nossas ações”, explica.
Apesar de críticas de outras religiões, os espíritas também se consideram cristãos. “Uma das obras básicas do espiritismo, ‘O Evangelho segundo o Espiritismo’, é uma interpretação da moral evangélica a partir das informações colhidas da espiritualidade, é o atestado eloquente de que o espiritismo é cristão. E na questão 625, de ‘O Livro dos Espíritos’, a obra maior da doutrina, o mentor espiritual que assistia Kardec revela que Jesus é a maior figura da humanidade. Kardec acrescenta que Jesus foi um preposto do criador em transito pela Terra”, completa.
O legado de Chico Xavier
Richard Simonetti lembra que conheceu Chico Xavier em vida. Foi nas reuniões públicas na Comunhão Cristã, depois na Casa da Prece, em Uberaba, das quais Chico participava. Mas os contatos dos dois eram breves. Havia sempre uma multidão de pessoas ávidas de conversar com o médium.
O escritor afirma que a doutrina espírita é respeitada no Brasil há muito tempo, graças ao trabalho dos espíritas no campo filantrópico. Porém, a grande contribuição de Chico Xavier foi dar o estímulo. “O que Chico fez foi estimular muita gente a procurar no espiritismo a resposta às suas dúvidas existenciais, a partir da visão ampla do mundo espiritual que está presente em suas obras”, diz.
Diferente de Chico Xavier, Richard não psicografa seus livros. Ele explica que no espiritismo aprende-se que todos são médiuns, porquanto todos são passíveis de sofrer a influência do mundo espiritual. “Muitas idéias, sensações e sentimentos que nos envolvem no dia-a-dia, não raro são produzidos pelo contato com espíritos desencarnados”, assegura.
Porém, nem todos têm suficiente sensibilidade para atuar como intermediários dos espíritos, transmitindo suas mensagens, como foi o caso de Chico Xavier. “Fico no primeiro grupo. Meus livros não são psicografados. São ‘suorografados’, demandam muito esforço, estudo, pesquisa e um pouco de inspiração, esta da parte das ‘musas’ deusas protetoras dos artistas de que falavam os gregos, porque não sabiam que eram as almas dos mortos que os inspiravam”, diz.
Para Richard a bandeira do espiritismo, desfraldada por Allan Kardec e seguida por Chico Xavier, é a máxima “fora da caridade não há salvação”. “Salvação não no sentido escatológico de vida futura. Salvação para o nosso mundo, porque é o antítodo do egoísmo, sentimento gerador de todos os males humanos”, finaliza.
A vida de Chico Xavier
2 de abril de 1910 - Nasce Francisco de Paula Cândido, nome de batismo, o Chico Xavier, na cidade mineira de Pedro Leopoldo, filho de João Cândido Xavier, vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus
29 de set de 1915 - Morre sua mãe, Maria João de Deus
Chico Xavier vai morar com sua madrinha, Maria Rita de Cássia, amiga de sua mãe
Dezembro de 1915 - Seu pai casa-se com Cidália Batista, que reúne todos os filhos do marido novamente e Chico volta a viver em família
Jan de 1919 - Começa a frequentar o Grupo Escolar São José e a trabalhar na fábrica de tecidos
1923 - Conclui o curso primário, após repetir a quarta série
1925 - Começa a trabalhar no comércio. Primeiro, como auxiliar de cozinha no Bar do Dove. Em seguida, na venda de José Felizardo Sobrinho
7 de maio de 1927 - Tem sua primeira experiência na doutrina espírita, quando sua irmã Maria Xavier Pena, doente e desenganada pelos médicos, é levada até a casa de uma família espírita. Faz uma prece em torno do leito da irmã. Ela é curada. A partir daí começa a frequentar reuniões espíritas
21 de jun de 1927 - Torna-se secretário do recém-fundado Centro Espírita Luís Gonzaga, que funciona num barracão onde mora o seu irmão e também presidente do centro, José Xavier
8 de julho de 1927 - Psicografa, pela primeira vez, no Centro Espírita Luís Gonzaga e escreve 17 páginas com a assinatura final de "Um espírito amigo"
1928 - São publicadas suas primeiras mensagens psicografadas pelo matutino carioca “O Jornal” e, logo depois, pelo “Almanaque de Notícias”, de Portugal
1931 - Aparece-lhe o que chama de seu mentor espiritual ou espírito-guia, que pede para ser chamado de Emmanuel
Março de 1931 - Morre Cidália Batista, sua madrasta e amiga
Psicografa pela primeira vez um poema com a assinatura de um morto: o poeta fluminense Casimiro Cunha (1880 - 1914). Poeta menor, mas com uma particularidade: espírita convicto e confesso
1932 - Edita seu primeiro livro, “Parnaso de Além-túmulo”, uma coletânea de 59 poemas assinados por 14 grandes poetas brasileiros já falecidos: Castro Alves, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Guerra Junqueiro, entre outros
1935 - Entra para o Ministério da Agricultura, trabalhando na Fazenda Modelo de Pedro Leopoldo
1939 - Passa a psicografar os trabalhos do escritor maranhense Humberto de Campos, morto em 1934 e no mesmo ano lança o livro “Crônicas de Além-Túmulo”, com textos do escritor falecido
1940 - Fica gravemente doente. Os médicos prevêem um ataque de uremia (elevação de uréia no sangue), o que não chega a ocorrer
1944 - É processado pela família do escritor Humberto de Campos, que exige parte dos direitos autorais dos livros psicografados, mas a justiça decide a favor do médium, que passa a usar o pseudônimo de irmão X para identificar os livros do escritor psicografa mais tarde
1944 - Publica o livro “Nosso Lar”, que torna-se um verdadeiro best-seller entre as publicações espíritas, chegando a uma tiragem de 1.277.000 exemplares
1946 - Fica doente, vítima de tuberculose
1951 - É operado de uma hérnia estrangulada
1958 - Amauri Xavier Pena, sobrinho de Chico Xavier, filho de sua irmã Maria Xavier, também espírita e psicógrafo, declara aos jornais que, por se sentir amargurado por crises de consciência, decide contar que tudo o que já havia psicografado é criado por ele mesmo, sem nenhuma interferência dos espíritos, e acusa seu tio do mesmo. O que é negado por Chico
1959 - Muda-se para Uberaba, fugindo do escândalo causado pelas declarações do sobrinho Amauri Xavier Pena
1960 - Publica, em parceria com o também médium Waldo Vieira, o livro “Mecanismos da Mediunidade”
1963 - Aposenta-se, após 30 anos de serviços prestados como auxiliar de serviço na antiga Inspetoria Regional do Serviço de Fomento da Produção Animal, por incapacidade
1965 - Vai aos Estados Unidos a fim de difundir o espiritismo e para fazer um tratamento oftalmológico
1969 - Viaja a São Paulo para se submeter a uma cirurgia na próstata
3 de janeiro de 1972 - Concede uma entrevista de quatro horas na extinta TV Tupi, num programa chamado “Pinga-Fogo”, o que atrai cerca de 20 milhões de telespectadores
Junho de 1975 - Anuncia que encerrará, aos 65 anos de idade, suas atividades mediúnicas, devido ao desgaste físico e por não conseguir superar o processo de hipotensão (pressão arterial baixa), surgido em 1973.
1976 - Tem sua primeira crise de angina de peito
Março de 1980 - É indicado para receber o Prêmio Nobel da Paz de 1981, numa campanha liderada pelo então diretor da Rede Globo, Augusto César Vanucci
Setembro de 1983 - Coloca, pela primeira, sua voz em quatro LPs, lançados pela gravadora Fermata, para transmitir suas mensagens de paz. Os discos trazem apenas o nome de Chico Xavier na capa, ao lado de um desenho de seu rosto
28 de junho de 1985 - João Francisco de Deus é julgado inocente da morte de sua mulher Gleide Maria Dutra, morta com um tiro no pescoço, no dia 1º. de março de 1980. Cartas de Gleide, inocentando João Francisco, psicografadas por Chico Xavier nove meses após sua morte, foram usadas pela defesa do acusado
Agosto de 1985 - Recebe a visita de D. Risoleta, viúva de Tancredo Neves, morto em abril de 1985. Ela, porém, nunca recebeu mensagens do marido
15 de outubro de 1989 - Recebe uma visita do então candidato à presidência da República, Fernando Collor de Mello, apoiando, pela primeira vez, um candidato a presidente
Maio de 1991 - Já eleito presidente, Fernando Collor de Mello visita-o novamente
27 de fevereiro de 1993 - É procurado por Glória Perez, mãe da atriz Daniela Perez, assassinada no final de 1992. Glória pede que Chico Xavier converse com sua filha
18 de setembro de 1995 - Um enfisema pulmonar o deixa com apenas 35 quilos e preso a uma cadeira de rodas
1997 - Publica o livro de poesias “Traços de Chico Xavier”
1998 - Publica o livro “Caminho Iluminado”, do espírito Emmanuel
1999 - Publica seu último livro “Escada de Luz”, totalizando 412 livros publicados, muitos deles traduzidos em diversas línguas e também em braile
30 de junho de 2002 - O mineiro Francisco Cândido Xavier morre aos 92 anos, por volta das 19h30. Ele havia acordado cedo, feito orações e se alimentado normalmente. Na época se disputava a Copa do Mundo de 2002, Chico Xavier não assistiu à partida da seleção brasileira, mas quis saber o resultado. Ele deitou para dormir no horário habitual: às 19h20 e morreu cerca de dez minutos depois, em sua casa, no bairro Parque das Américas.
O médico do religioso, Eurípedes Tahan Vieira, disse que o líder espírita sofreu uma parada cardíaca sem sofrimento e sem dor. O médium foi o líder espírita mais conhecido e procurado do país.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Indústria de bebidas mira o uso racional da água
Hoje a água é um recurso natural disponível, mas há previsões nada otimistas para o futuro que levam a indústria a repensar seus métodos.
A Ambev, que tem uma cervejaria em Agudos (19 km de Bauru), e a Spaipa, que produz refrigerantes da Coca-Cola em Marília (106 Km de Bauru) e tem uma unidade de água mineral aqui, são exemplos.
Maior fabricante de cerveja do país, a AmBev vai traçar este ano sua Water Foot Print, a “pegada de água”. A ideia é monitorar quanto do produto é gasto na cadeia de produção e racionalizar.
Nos últimos seis anos, a Ambev reduziu em 23% o consumo. Em 2008, foram usados 4,11 litros de água para cada litro de bebida contra 4,19 litros de 2007.
A redução no último ano significa volume não captado de 815 milhões de litros, suficiente para abastecer num mês uma cidade de 150 mil habitantes.
Meio ambiente é preocupação
A fábrica da Ambev de Agudos terá um investimento de R$ 184 milhões em 2010. Com isso, a filial terá sua capacidade de produção ampliada em 43%. Além da unidade fabril, a companhia também mantém na cidade um CDD (Centro de Distribuição Direta), que juntos empregam 802 pessoas.
A fábrica tem importância estratégica para os negócios da AmBev e abastece, além da região, os mercados de Paraná, Ribeirão Preto, oeste de Minas Gerais, Mato Grosso, e outras cidades do norte de São Paulo.
A água significa 95% da produção da cerveja.
“As unidades da Ambev procuram diminuir a necessidade de captação de água, reduzir o consumo de energia, aumentar o índice de reciclagem dos resíduos e diminuir a emissão de poluentes”, afirma o gerente fabril Fernando Maffessoni.
A companhia promove treinamentos sobre o tema.
Spaipa coleta água de chuva
A Spaipa passou por ampliação no ano passado. A filial passou a ter 45 mil metros quadrados em área e capacidade de produção para mais de 156 milhões de caixas de bebidas/ano.
Desde 2007 foi implantado sistema de coleta de água da chuva com previsão de economia de 1% a 2% no consumo mensal.
Hoje, o Sistema Coca-Cola Brasil utiliza 2,08 litros de água para cada litro de bebida produzido, incluindo o litro que vai dentro da embalagem, um dos melhores índices da indústria do mundo.
Há 12 anos esse índice girava em torno de cinco litros. O sistema segue política mundial para recursos hídricos baseada em três “Rs”: reduzir a água; reciclar e reabastecer as comunidades e a natureza.
Programa objetiva a qualidade do produto
Nos 16 fabricantes dos produtos da Coca-Cola no Brasil, além de Del Valle e Leão Junior, o Programa Água Limpa trata, entre outras coisas, da qualidade da água que é devolvida à natureza pelos fabricantes e da economia na utilização do produto.
Hoje, a capacidade de captação da chuva em todas as fábricas, incluindo a sede, é de 89 milhões de litros de água por ano.
Reaproveitamento na hora da limpeza
Na Ambev, toda a água proveniente da produção é reaproveitada em atividades como lavagem de tanques, garrafas e limpeza em geral. A água que enxagua as garrafas é aproveitada, por exemplo, para lavar os engradados. Na pasteurização, a mesma água usada para elevar a temperatura da cerveja é usada para resfriá-la, o que reduz a captação.
A empresa possui 37 estações de tratamento instaladas em suas fábricas nas Américas para devolver água limpa. Juntas, possuem capacidade para tratar 240 mil metros cúbicos de efluentes por dia - índice suficiente para abastecer uma população de 5,6 milhões de habitantes, semelhante a uma cidade que possui quinze vezes a população de Bauru.
No caso de Agudos, além do consumo de água abaixo da média anual da companhia, a unidade é uma das oito plantas de biomassa.
“O investimento da Ambev em energia limpa resultou em uma matriz energética calorífica constituída por 29% de fontes renováveis, o que diminui a emissão de gases causadores do efeito estufa. Nos últimos cinco anos, a redução no índice de emissão de CO2 foi de 35%, o equivalente ao plantio de 1,6 milhão de árvores”, conta o gerente.
Outra preocupação é com resíduos descartados. Em 2008, a companhia reaproveitou 98,2% dos subprodutos.
Ciesp alerta para escassez já próxima
A água é um recurso fundamental para a vida e o futuro dos negócios em um mundo que deve sofrer grandes modificações hidrológicas por conta das mudanças climáticas.
Até 2030, segundo as projeções de especialistas, 47% da população mundial estará em áreas de alto estresse hídrico.
O engenheiro agrônomo e coordenador de Meio Ambiente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Bauru, Caio Cesar Passianoto, comenta que o problema não está tão distante do Brasil.
“Hoje estados como Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte já possuem uma baixa disponibilidade hídrica. E São Paulo, Rio de Janeiro e Piauí possuem uma disponibilidade hídrica suficiente, no entanto, na região metropolitana de São Paulo já estão ocorrendo problemas de escassez e vulnerabilidade, causados por um desequilíbrio entre a oferta e a demanda, agravados pelos elevados níveis de poluição”, comenta.
Manual
O Ciesp, juntamente com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo), editou um Manual de Orientações para o Setor Industrial referente a esse assunto, ou seja, a conservação e o reuso de água.
Encontram-se também abertas as inscrições para o Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso de Água.
Pelo quinto ano consecutivo se incentiva a difusão das práticas que promovam o uso eficiente da água, resultando em redução do consumo e gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais.
O envio dos projetos vai até 10 de fevereiro de 2010.
Prejuízos
Caio aponta que qualquer uso exagerado da água pode trazer prejuízos ao meio ambiente como um todo.
“O certo é que caso a sociedade como um todo não participe dessa mudança de hábito, certamente teremos algum reflexo na disponibilidade de água, seja pela falta ou pelo elevado custo que teremos para consumir o necessário”, diz.
A ONU calcula que, em 25 anos, 2,8 bilhões de pessoas viverão em regiões de seca crônica. Especialistas estimam que metade da água potável dos países em desenvolvimento é ilegalmente desviada ou desperdiçada.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Construção terá impulso milionário durante o ano
Financiamentos imobiliários com prazos mais longos, programa Minha Casa Minha Vida do governo, recuperação econômica com o fim da crise financeira internacional, além da expansão da renda e do emprego.
Tudo isso vai elevar em muito os investimentos da construção civil em Bauru em 2010 na esteira do crédito para a casa própria, que dobrou em 2009 e chegou a R$ 47 milhões em financiamentos no Brasil, segundo a Caixa Econômica Federal.
Só o Minha Casa, Minha Vida tem R$ 109,2 milhões em investimentos previstos com 2.228 casas ou apartamentos (veja mais no info). Anteontem, após expectativa de quase um ano, a prefeitura assinou os primeiros contratos para baixa renda – 400 apartamentos populares.
O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) projeta um crescimento de 8,8% no setor em todo o Brasil.
Para o diretor regional da entidade, Renato Parreira, Bauru e região também terão esse desempenho. “É evidente que os recursos públicos como o PAC não chegam em nossa região com a mesma intensidade de grandes centros, mas pelo excelente desempenho dos financiamentos da Caixa somado ao de grandes empresas, mais os programas assistenciais, vai ser um excelente ano para construção civil.”
Após freio no emprego, cenário é positivo
O ano da crise – 2009 – foi ruim em Bauru para empregos diretos. Segundo o Ministério do Trabalho, o setor contratou 7.610 pessoas e desligou 9.002 – ou seja, o ano fechou com um saldo de menos 1.392.
Renato Parreira aponta que Bauru e Região sentiram bastante os reflexos da crise, repercutindo na taxa de emprego como no restante do país, mas prevê um ano melhor. “Acreditamos que a evolução dos empregos disponíveis vai acompanhar as taxas de crescimento do setor. Assim sendo, Bauru possui aproximadamente 10 mil trabalhadores formais e pelo menos 5 mil informais. Acreditamos que teremos em Bauru pelo menos 1,5 mil empregos e assim proporcionalmente para os informais.”
Imobiliário
Quem deve ajudar nisso são os financiamentos imobiliários. Segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) devem somar R$ 50 bilhões em 2010, dos quais R$ 30 bilhões para pessoas físicas e R$ 20 bilhões para construtoras: uma alta de 47% em relação a 2009.
Para você que lê esta matéria, a dica que parece óbvia, mas é preciosa: pesquise sempre qual a melhor opção de imóvel para sua condição atual. E com pés no chão.
BOM DIA pergunta; a Caixa responde
Quanto a Caixa liberou em crédito habitacional para Bauru e região em 2009?
R. A Caixa liberou R$ 529.624.000,00 na região de abrangência da Superintendência Regional.
Foram quantas moradias construídas em Bauru e região em 2009?
R. Foram contratados 15.342 financiamentos habitacionais.
Qual a previsão em 2010?
R. Igualar ou superar.
Abrangência
A Caixa informa que a população beneficiada com a liberação dos créditos habitacionais na região de Bauru atinge 61.850 pessoas. As metas são sempre de igualar ou superar os períodos anteriores.
Convém lembrar que Caixa Econômica Federal encerrou o ano de 2009 com a maior contratação habitacional de sua história. Segundo balanço divulgado durante a semana, a Caixa emprestou durante o ano passado 71% de todo o crédito imobiliário do mercado. O volume de financiamentos fechou em R$ 47,05 bilhões, dos quais R$ 14,1 bilhões foram destinados ao Programa Minha Casa, Minha Vida.
Vendas extraordinárias esperam ser superadas
Segundo a pesquisa interna da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), entidade que representa 138 mil lojas de material de construção no país, o varejo do setor apresentou um crescimento de 4,2% em 2009 em relação a 2008, atingindo um faturamento total de R$ 45,04 bilhões.
De acordo com a associação, no mês de dezembro, o crescimento em relação a novembro foi de 4,5%. Já em relação a dezembro de 2008, a alta registrada foi de 20%. “Sem dúvida, crescer 4,2% em relação a 2008, que foi um ano recorde para nosso segmento, se mostrou um resultado extraordinário”, comemora Cláudio Conz, presidente da entidade.
“Começamos o ano com retração de 15% no primeiro trimestre e tivemos uma melhora em março e abril, devido especialmente à redução do IPI ]Imposto Sobre Produtos Industrializados]. Daí para frente, fomos melhorando mês a mês.”
Cláudio Conz continua: “Em 2010, para um crescimento do PIB previsto em mais de 5% esperamos crescer acima de 10%.”
“Há aumento de renda da população. Em 2010, os números dos financiamentos habitacionais com recursos da poupança serão recordes, acima de R$ 40 bilhões, e assim, bem superiores aos R$ 30 bilhões de 2008 e 2009.”
Eduardo, 20: começando do zero
O agricultor Eduardo Ivan Pires, 20 anos, vai construir sua primeira casa e iniciou todos os procedimentos de pesquisa de preços.
“Vou começar do zero, corro atrás de tudo: cimento, cal, válvulas, areia. Vou gastar pelo menos R$ 8 mil agora, mas estou gostando dos preços”, diz enquanto é atendido na loja Bigolin da avenida Rodrigues Alves, quadra 14, Centro.
O mecânico Romualdo Cipriano, 39, encara o desafio de construir e reformar. “É que estou fazendo minha casa no Vista Alegre e ajudando minha mãe a reformar a dela, no Gasparini.”
Voz do comércio
Da quadra 16 da rua Bernardino de Campos, Vila Souto, o dono da loja Cimenfer observa: “Mesmo com janeiro chuvoso, o movimento vem crescendo.”
Mas Antonio Fernando Redondo, 41 anos, 12 de comércio, alerta para um efeito colateral desse impulso todo. “A indústria está um pouco saturada, já trabalha no pico. Se a demanda subir demais, a tendência é de aumento nos preços.”
Tudo isso vai elevar em muito os investimentos da construção civil em Bauru em 2010 na esteira do crédito para a casa própria, que dobrou em 2009 e chegou a R$ 47 milhões em financiamentos no Brasil, segundo a Caixa Econômica Federal.
Só o Minha Casa, Minha Vida tem R$ 109,2 milhões em investimentos previstos com 2.228 casas ou apartamentos (veja mais no info). Anteontem, após expectativa de quase um ano, a prefeitura assinou os primeiros contratos para baixa renda – 400 apartamentos populares.
O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) projeta um crescimento de 8,8% no setor em todo o Brasil.
Para o diretor regional da entidade, Renato Parreira, Bauru e região também terão esse desempenho. “É evidente que os recursos públicos como o PAC não chegam em nossa região com a mesma intensidade de grandes centros, mas pelo excelente desempenho dos financiamentos da Caixa somado ao de grandes empresas, mais os programas assistenciais, vai ser um excelente ano para construção civil.”
Após freio no emprego, cenário é positivo
O ano da crise – 2009 – foi ruim em Bauru para empregos diretos. Segundo o Ministério do Trabalho, o setor contratou 7.610 pessoas e desligou 9.002 – ou seja, o ano fechou com um saldo de menos 1.392.
Renato Parreira aponta que Bauru e Região sentiram bastante os reflexos da crise, repercutindo na taxa de emprego como no restante do país, mas prevê um ano melhor. “Acreditamos que a evolução dos empregos disponíveis vai acompanhar as taxas de crescimento do setor. Assim sendo, Bauru possui aproximadamente 10 mil trabalhadores formais e pelo menos 5 mil informais. Acreditamos que teremos em Bauru pelo menos 1,5 mil empregos e assim proporcionalmente para os informais.”
Imobiliário
Quem deve ajudar nisso são os financiamentos imobiliários. Segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) devem somar R$ 50 bilhões em 2010, dos quais R$ 30 bilhões para pessoas físicas e R$ 20 bilhões para construtoras: uma alta de 47% em relação a 2009.
Para você que lê esta matéria, a dica que parece óbvia, mas é preciosa: pesquise sempre qual a melhor opção de imóvel para sua condição atual. E com pés no chão.
BOM DIA pergunta; a Caixa responde
Quanto a Caixa liberou em crédito habitacional para Bauru e região em 2009?
R. A Caixa liberou R$ 529.624.000,00 na região de abrangência da Superintendência Regional.
Foram quantas moradias construídas em Bauru e região em 2009?
R. Foram contratados 15.342 financiamentos habitacionais.
Qual a previsão em 2010?
R. Igualar ou superar.
Abrangência
A Caixa informa que a população beneficiada com a liberação dos créditos habitacionais na região de Bauru atinge 61.850 pessoas. As metas são sempre de igualar ou superar os períodos anteriores.
Convém lembrar que Caixa Econômica Federal encerrou o ano de 2009 com a maior contratação habitacional de sua história. Segundo balanço divulgado durante a semana, a Caixa emprestou durante o ano passado 71% de todo o crédito imobiliário do mercado. O volume de financiamentos fechou em R$ 47,05 bilhões, dos quais R$ 14,1 bilhões foram destinados ao Programa Minha Casa, Minha Vida.
Vendas extraordinárias esperam ser superadas
Segundo a pesquisa interna da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), entidade que representa 138 mil lojas de material de construção no país, o varejo do setor apresentou um crescimento de 4,2% em 2009 em relação a 2008, atingindo um faturamento total de R$ 45,04 bilhões.
De acordo com a associação, no mês de dezembro, o crescimento em relação a novembro foi de 4,5%. Já em relação a dezembro de 2008, a alta registrada foi de 20%. “Sem dúvida, crescer 4,2% em relação a 2008, que foi um ano recorde para nosso segmento, se mostrou um resultado extraordinário”, comemora Cláudio Conz, presidente da entidade.
“Começamos o ano com retração de 15% no primeiro trimestre e tivemos uma melhora em março e abril, devido especialmente à redução do IPI ]Imposto Sobre Produtos Industrializados]. Daí para frente, fomos melhorando mês a mês.”
Cláudio Conz continua: “Em 2010, para um crescimento do PIB previsto em mais de 5% esperamos crescer acima de 10%.”
“Há aumento de renda da população. Em 2010, os números dos financiamentos habitacionais com recursos da poupança serão recordes, acima de R$ 40 bilhões, e assim, bem superiores aos R$ 30 bilhões de 2008 e 2009.”
Eduardo, 20: começando do zero
O agricultor Eduardo Ivan Pires, 20 anos, vai construir sua primeira casa e iniciou todos os procedimentos de pesquisa de preços.
“Vou começar do zero, corro atrás de tudo: cimento, cal, válvulas, areia. Vou gastar pelo menos R$ 8 mil agora, mas estou gostando dos preços”, diz enquanto é atendido na loja Bigolin da avenida Rodrigues Alves, quadra 14, Centro.
O mecânico Romualdo Cipriano, 39, encara o desafio de construir e reformar. “É que estou fazendo minha casa no Vista Alegre e ajudando minha mãe a reformar a dela, no Gasparini.”
Voz do comércio
Da quadra 16 da rua Bernardino de Campos, Vila Souto, o dono da loja Cimenfer observa: “Mesmo com janeiro chuvoso, o movimento vem crescendo.”
Mas Antonio Fernando Redondo, 41 anos, 12 de comércio, alerta para um efeito colateral desse impulso todo. “A indústria está um pouco saturada, já trabalha no pico. Se a demanda subir demais, a tendência é de aumento nos preços.”
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